
Dia desses fui caminhar no centro de minha cidade e fiquei impressionado com o descaso de grande parte da sociedade jovem, da qual eu me encaixo, com o meio ambiente, com a saúde, com a atual situação do país. Ninguém estava preocupado com isso. A principal inquietação é por arranjar um “trampo” e conseguir dinheiro para ir em uma festa, tirar a carteira de motorista, comprar um carro. E eu aqui...andando de bicicleta, reciclando lixo, guardando o oleio de cozinha... Será que minhas atitudes são em vão? Estou prestes a completar 20 anos! São duas décadas! E por vezes me sinto como um homem de 30, por vezes me sinto como um garoto de 16. Talvez eu esteja em uma fase de transição, assim como a nossa sociedade.
Ah, já ia esquecendo, agora a moda é corrupção. Fraude no Detran, obras superfaturadas, despesas pessoais pagas com verbas públicas...e eu aqui, prestes a completar 20 anos. Ninguém é punido, a justiça é cega, a educação, por incrível que pareça, carece de educação, e nossas reformas políticas é uma vergonha internacional. Qualquer país normal e racional tem dois ou três partidos, mas como isso! Nós somos um país tropical, carnavalesco, temos as mulheres de maiores bundas do mundo, aqui é tudo festa. É crime organizado, governos paralelos em favelas, sistema prisional defasado, políticos gastando 15 mil em um gabinete e povo brasileiro dizendo: Tudo bem. Não cobramos, somos broxas. A nossa política é reflexo do que é grande parcela dos brasileiros: Broxas, sem cultura, sem ideologias, sem uma opinião formada. Somos golpeados por falsas promessas a cada dois, quatro anos, mas: Tudo bem.
É...e eu aqui, prestes a completar 20 anos. Sou muito jovem pra viver tudo isso. Prefiro voltar à minha infância, à minha adolescência e achar que o planeta tem o mar azul, que as nuvens são feitas de algodão e por que não: que viemos de um caroço. Quero minha inocência de volta, quero minha filosofia surreal de volta, pois estou para completar 20 anos em mundo que não terá 20 anos pra desfrutar de suas belezas naturais, se continuarmos a praticar nossas hipocrisias rotineiras.