
Na juventude namorou um rapaz viciado em sexo. Os amigos o chamavam de discípulo de Freud. Para esse rapaz, sem sexo a vida não teria sentido. Tudo levava ao sexo. O ser humano se reproduz através do sexo, e a reprodução segue a mesma linha. Porque o sexo dá prazer, e tudo que dá prazer é experimentado involuntárias vezes, sujeito ao vício. Para Lolita, sexo era questão de tempo. Uma vez que ela não experimentara do prazer carnal. Seu namorado adorava provoca-la passando a mão por debaixo de sua saia, tocando seus seios fartos. O namoro terminou porque Lolita não agüentava a pressão do tal discípulo de Freud. A partir daquele momento Lolita passou a repudiar todo e qualquer homem.
Na infância Lolita brincava de boneca como qualquer menina. O que ela não lembrava era que usava duas delas. Duas bonecas que através de suas mãos se beijavam. O particular era que Lolita não recordava de sorte alguma que aos cinco anos perguntara para mãe o porquê que duas mulheres não podiam se beijar. Sua mãe lhe disse que era imoral. E tudo que se torna imoral não é digno de sobrevivência. Sua mãe queimou as bonecas e Lolita imediatamente foi chorando para o quarto.
Por fim, Lolita odiava aquela mulher não somente por ela ser sua colega de trabalho; não somente pela imoralidade que cometiam quase todas as noites no escritório de seu pai. E que por mais imoral que fosse, resultava em um prazer jamais gozado na relação com um homem. Lolita odiava aquela mulher por ela também ser sua irmã. A sociedade disciplinadora e ao mesmo tempo indisciplinada não permitiria a escolha de Lolita. Embora ela já nascesse com o desejo aflorado, sua família nunca a perdoaria. “Tudo que se torna imoral não é digno de sobrevivência”. Por um segundo Lolita lembrava das palavras de sua mãe.
Já faz dez anos que Lolita se matou. Morreu depois de pensar que não poderia mais viver cometendo imoralidades, que não eram suas.