
Sentados, à beira do rio, ele, vagarosamente, estende sua mão ao encontro dos dedos dela. Ela, timidamente, retira o jeito e parece refutar toda e qualquer chance de relacionamento. Ele, então, volta a tentá-la. A fita por alguns segundos; almeja enxergar seus olhos, a verdade escondida por detrás daquela face linda, de traços prósperos. Logo, a pela facial dela, lisa e macia como o aroma praiano, deixa escapar um olhar afetuoso. Ele aproxima os lábios da boca preterida, e ela vira o rosto. Ele balbucia a pergunta:
- E... o que faço quando os teus lábios dizem sim e... Os teus olhos dizem não?
Eles se tornam proximamente distantes. Ambos fitam a água suja do rio. Como se o cenário externo ajudasse a direcionar perguntas e respostas. Como se somente ele perguntasse. Como se somente ela respondesse...
- E como nasce o amor?
- Ele nasce da mesma forma que termina.
- E como termina um amor?
- Da mesma forma que começa.
- Então... O amor...
- O amor é...
- O amor é isso.
- O amor é isso.
- O amor não requer perguntas?
- E tampouco respostas...
Eles se miram. Ele volta a indagar:
- Por que estamos aqui?
- O amor precisa da solidão para nascer...
- E de encontros para acontecer.
O Beijo acontece. Eles se abraçam. O vento sopra mais forte. O clima traz um ar gelado... Ambos se arrepiam até afastarem os lábios. A consciência desperta:
- E como será que nasceu Deus?
Feliz Natal