Coluna do Luan

domingo, 29 de agosto de 2010

Queijo parmesão

Ela estava radiante, como sempre. Soltava aromas pelos olhos. Naquela humilde ocasião, a mesa de jantar era o seu palco. Ela corta o queijo. Concentra-se na faca. Corta novamente o queijo. Atira a fatia mirando a minha boca. Atira. Atira. Atira. Mas, desta vez, era a faca que voava na minha pele facial.

Eu desviei.

Ela, a loura artista do jantar, se joga para cima de mim. Me ganha. Me têm desnudo, com sabor de queijo parmesão nos lábios avermelhados. Sua língua era gulosa e devassa.

Eu era o seu crime.

Eu era a sua janta.

A partida termina.

Eu, de corpo trêmulo e fraco, me rendo à fome. Ela vai embora sem olhar para trás, nem mesmo um balançar de ombros. Nada.

Por fim, reparo no meu abdômen furado. Havia sangue com gosto de queijo no chão. Eu desejava aquela mulher. Era um morto que almejava a loura do queijo parmesão.

Sangrava,

feliz.

2 comentários:

joyce domingos disse...

o que eu posso dizer?

ME ARREBATOU....

fiquei a imaginar a cena,o cheiro,o gosto do queijo e o sangue tão vermelho quanto um vinho tinto...


amei!

bjos!

Anônimo disse...

putaquemepariu