segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Consciências de segunda-feira
Prometi que voltava a postar na coluna, porém nunca pensei que fosse escrever em plena segunda-feira. A chuva (por aqui), uma grande aliada ao sono, à leitura, à persistência de filmes em canais abertos e fechados, me apresenta a realidade escarnecida. Vivo uma das fases mais heterogêneas de minha vida. Uma variação de humor incrível. Alguns desejos animalescos, outras decepções incuráveis que cercam toda espécie de relacionamento. Mas quer saber? Acho que estou sabendo lidar com as circunstâncias que me convém. É o risco que corremos ao saborear as escolhas. Por vezes me impressiono com as mudanças, como elas podem ser tão drásticas e tão sutis no mesmo segundo. A existência está recheada de surpresas agradáveis e desagradáveis. O equilíbrio é uma das chaves que resguarda a nossa natureza saudável, a nossa felicidade utópica e, claro, a nossa razão irracional... Ah, maldita e bendita seja a nossa consciência.
domingo, 27 de setembro de 2009
A perseguição da realidade

Após o acidente, me mantive imóvel, mas consciente. Então o som da sirene começava aguçar o temor da minha morte. O som ficava próximo, um barulho ensurdecedor. Eu não mais sabia onde estava. Com o corpo ensangüentado rente ao solo, vi os sapatos da policial descendo da viatura. A sirene não emitia qualquer ruído e absolutamente tudo ao meu redor encontrava-se quieto. O contato daquele sapato preto de solado puído com o chão representava uma contagem regressiva do meu fim. O bico do sapato já alcançava o meu nariz. Tento olhar em direção da luz e... Deparo-me com o rosto da minha mãe. Da minha mãe...?
Eram sete e quinze.
Minha mãe me desperta e meu corpo transmite sinais de realidade. Tudo havia sido um sonho... E não mais que um sonho... Com típicas cenas irracionais. Apronto-me com devida pressa, saio de casa e, ao dar a primeira passada numa calçada que não me era estranha, em frente à casa de vizinhos que também não me eram alheios... Esbarro com alguém que vestia um uniforme igual ao da policial da minha fantasia noturna. A ondulação do cabelo era idêntica. Os traços do rosto referenciavam a mesma beleza. A cor do batom era inconfundível... Era ela. Era ela. Era ela... que indaga:
- Será que tu vais te lembrar de mim hoje?
Eu lembro.
Eu a beijo.
Eu estava curado... e triste.
Agora, eu era somente o Agusto. Praticamente morto.
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