Coluna do Luan

terça-feira, 10 de julho de 2007

Perda de peso


Estava aqui pensando. Já vai fazer um ano que estou de regime. É, um ano. Já faz um ano que estou mentindo para mim mesmo dizendo que quero emagrecer. Um ano que levanto pela manhã pensando: “Hoje eu juro que não vou comer muito”. Nesse tempo todo, até dei umas corridas no calçadão, andei de bicicleta excessivamente, mas não conseguia enxergar resultados satisfatórios. Isto é, olhava para minha barriga e via aquela volúpia, de certo modo aquilo não me agradava. Tudo bem, eu nunca, de fato, fui gordo. O máximo que tive foi uns pneuzinhos bem de leve e nada significante. No entanto, esses meros pneuzinhos já me perturbavam. Era eu tirar a roupa na frente do espelho e pronto; eu já começava a fazer movimentos corcundas para enxergar algum defeito na região abdominal. Abdominal? Hum....

Pois é, passara alguns meses, e todo dia de manhã eu comecei a fazer cinco séries de 25. Pelas minhas contas, isso dava 125 abdominais por dia, mais 20 apoios. Credo, eu era um soldado em treinamento. Contudo, de nada adiantava. No café da manhã era cuca, mais torradas, uma fruta acompanhado de um copo de iogurte, dependendo do dia até suco de tangerina ou laranja. Um bom café da manhã, bem reforçado. Ao meio dia até que eu não comia tanto. Eu me excedia no intervalo do café para o almoço, sempre rolava um sanduíche. Depois do almoço, a tarde não conseguia me conter, comia uma fruta, e mais um copo de iogurte ou suco. E a noite eu não tinha muito apetite. O que explicaria a minha fome pela manhã.

Até eu perceber que tudo isso era bobagem. Quando saia às festas com meus amigos, nunca fui chamado de gordo, algumas garotas me achavam bonito e para mim isso era uma mentira deslavada. “Ela não enxerga minha gordura?” Como se gordo fosse sinônimo de feio. Eu realmente estava fixado no meu abdômen. Percebi que minha estética não se refletia de péssima aparência, portanto, eu não precisava ficar naquela loucura de emagrecer.

Não sei como fui me perder nesse pecado capital. Hoje eu sei que sou magro, posso até ter alguns pequenos pneuzinhos, mas nem reparo mais nisso. Aprendi a valorizar meu corpo de uma outra forma. E talvez eu saiba como deve ser gordo, apesar de nunca ter sido um, durante um ano inteiro eu me senti um verdadeiro obeso. Era tudo psicológico. E o segredo está na auto-estima. Nesse semestre, passado, tive um colega gordo, mas ele é boa pinta, tem uma aparência ótima, tem namorada e é feliz. E daí que ele é gordo? As pessoas se acham feias pelo que sentem ser. Isso é um erro. Nós até podemos emagrecer para satisfazer nossos objetivos, mas nunca devemos tornar isso uma obsessão.

Tenho um irmão que é gordo, tenho amigos, conhecidos, colegas gordos, e a grande maioria são felizes. Quiçá sabem que podem emagrecer, e até tornarem-se mais saudáveis, mas são felizes. Enquanto muitos magros e magras ficam achando defeitos onde não existe, fazendo plástica, lipoaspiração, que muitas vezes não dá resultados eficazes, pessoas com mais alguns quilinhos estão mandando ver na vida. E não se sabe se um dia eles ainda serão gordos, quem sabe essas pessoas emagreçam, enquanto outras se martirizam por ver gorduras onde nunca surgiram.

Hoje pela manhã quando perguntei para minha mãe o que teria de almoço, ela me respondeu da seguinte maneira:

- Lasanha, Luan. Mas quero que tu comas, tenho notado que tu não tem te alimentado direito no almoço, estás ficando magro.

Veja só, não é que o gordo emagreceu? São os extremos.

terça-feira, 3 de julho de 2007

A Cruz que mexe


No início sempre fora besta. Besta de doer. Não levantava antes de o despertador tocar. Teve uma noite que ele esperou três horas pelo barulho do relógio. Se tinha insônia não levantava um só pé. Era assim com tudo e todos. Não passava roupas porque iria amaçá-las novamente. Não lavava a louça, usava pratos descartáveis. Suas roupas eram doadas a cada semana. “Essa calça já está ficando suja, vou botar fora” dizia ele. Calça que ele comprara mês passado. Mas apesar de tudo era feliz. Solteiro, rico, porco, preguiço, mas feliz. Ninguém ao certo sabia a história daquele homem. Dona Lucinda, do armazém da esquina, sempre suspeitou de que ele fosse um traficante. Não trabalhava e vivia comprando roupas, homem mais estranho não existia. Ele não pagava imposto. Seu IPTU estava atrasado há anos, e nunca, nunca o tiraram a casa. “Não dou dinheiro para bandidos, não pago um só centavo para esses pilantras”, Frisava. De certo ponto tinha razão. Imposto, carga tributária, tudo isso é um absurdo. Ainda mais para ele, apolítico, ateu, que tinha mil teorias sobre a origem da vida.

Certa vez foi ao cemitério, gostava do coveiro, para quem não tinha nada para fazer bater um papo com o coveiro era diversão na certa. Discutiam sobre os túmulos, que falta de respeito com os mortos, túmulos aos pedaços, quase não se enxergava mais o nome e a data de vivência do defunto.

- Aquele ali é meu preferido. - Disse Ramalho, o coveiro amigo.
- Não gosto daquele, a tinta é de péssimo gosto. Prefiro o terceiro da esquerda para direita com a cruz metálica, belo gosto, bem cuidado.
- Bem, aquele túmulo tem uma história bem interessante.
- E está esperando o quê para contar-me?
- Bom, numa noite dessas vi a cruz se mexer.
- Cruz se mexe? Estou realmente desatualizado.
- Pela lógica real não deveria se mexer, mas o fato foi que as três da madruga, juro por tudo que é mais sagrado que vi aquela cruz se mexer.
- Três da madrugada?
- Três da madrugada.
- Cruz se mexendo?
- Sim, ela mexeu.
- Quem jaz ali?
- Um antigo agricultor, seu filho, porém, é rico, dono de uma multinacional de calçados. Fez questão de deixar o pai bem acomodado.
- Nota-se.
- Até hoje não entendo.
- O quê?
- Aquela cruz, tenha algo muito suspeito.
- Por que tu não a arrancas fora?
- Como é?
- Você é o coveiro, toma coragem, arranque a cruz.
- Não posso fazer isso, é meu dever deixar os túmulos como estão.
- Bom, então não reclame se ela se mexer, é o direito que ela tem.
- Mas por Deus, Homen! Cruz não se mexe! Tu achas isso normal?
- Não creio em Deus, e se a cruz se mexe é porque deve ter algum motivo.
- Você pode não crer em Deus, mas ele crê em você.
- Se ele Crê em mim não teria feito o que fez comigo.
- Mas o que ele fez com você?

Ele olha para o relógio percebe que já era tarde, resolve cortar o papo e sair:

- Ramalho, preciso ir, já está tarde.
- Tudo bem, nos vemos por aí.
- Sem dúvida, um abraço.
- Outro.

Saiu sem muita cerimônia, era bastante direto. O coveiro, no entanto, ficou absorto tentando decifrar o que Deus fez ao homem que não tem fé. Esse, voltava para casa lentamente, passou pelo armazém de D. Lucinda que o secou com olhar devorador. “Homem estranho, homem estranho”. Repetia, sempre que o via passando. Ele entrou em casa atirou o casaco na poltrona, ajoelhou-se em frente à televisão e chorou. Começou a chorar como criança, lágrimas corriam em seu rosto sem intervalos. Levantou-se, despiu-se todo, tirou primeiro a calça, depois a cueca, por último a camisa. Jogou tudo no tapete vermelho (odiava azul). Agora ele estava nu, pelado na sala em frente a TV. Calmamente, ele coloca suas mãos nas laterais do televisor, começa então uma crise histérica, bate a cabeça contra o aparelho com uma força desconhecida, bate-se cada vez mais forte, violência pura, sangue espirrando, e ele não parava como se não sentisse dor.

Até que parou.

Foi até a cozinha, com o sangue espirrando no carpete, abriu a gaveta sem trinco, pegou uma faca, e de maneira brutal, rasgou o seu rosto desenhando uma cruz. Incrivelmente não sentia dor. Caminhando ensangüentado, deita-se no chão e ali adormece.

Cinco e meia da manhã, ele acorda. O despertador ainda não tocou, faltavam quinze minutos. Dessa vez ele resolve se levantar, e pensa:

- Coveiro? D. Lucinda? Cruz que se mexe? Que sonho mais estranho.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Estranha realidade


Disseram-me que eu nasci da barriga da minha mãe. Fala sério! Que absurdo. Onde já se viu, eu, nascer de uma barriga. O que me deixou mais eloqüente foi o fato de continuarem mentindo. Já não bastava afirmar que eu vim de uma barriga, ousaram ratificar que antes, muito antes, eu era um tal de espermatozóide! Que diabos é isso? Espermatozóide? Prefiro acreditar em metáforas. Elas são mais sutis, e dizem a verdade de uma forma obscura e venenosa. O veneno está na maneira de como acreditamos viver. De como acreditamos que realmente fomos um espermatozóide. Por que não posso ter uma crença só minha. Há tantas religiões no mundo, e há tantas guerras no mundo. Não que as guerras sejam fruto da religião, mas prefiro acreditar no meu Deus, sem depender de histórias divinas. Gosto de ser independente na medida do possível. Sendo assim, por que eu teria que acreditar que já fui um esperma. Será que dá para entender a situação? Estou falando de espermas, aquelas coisas brancas, gosmentas...É difícil para mim, sabe. Acreditar que um dia eu fui aquilo.

Por que acreditar na ciência? Pelo mesmo motivo que acreditamos na religião? Ora, isso não é justificativa. Prefiro acreditar que eu era um caroço então. Isso mesmo, um caroço. Amadureci, cresci e nasci. Afinal, não é assim que rege a vida? Aliás, o que é vida? Cada um vive de uma forma tão diferente da outra que por vezes fico perdido. O que é certo? O que é errado? É normal matar? É normal roubar milhões de cofres públicos? É bonito espancar domésticas nas paradas de ônibus? Deve ser. Pois tudo isso acontece, e ninguém dá bola. É tudo uma estranha realidade. Dizem que vão mudar a situação social do país, vão fazer a economia crescer, gerar mais empregos e a educação, ah, essa vai ser invejável! Só se for pela taxa de analfabetismo.

Mas por que acreditar em tudo isso? Posso fazer da realidade uma ficção. As pessoas brincam de viver, portanto é justo que eu brinque do meu jeito. Não é justo? Ou melhor, o que é justo? A Paris Hilton sair da prisão, desfilando, após três semanas, por bom comportamento? Que mundinho medíocre! Prefiro acreditar que não sou humano. Vou brincar de viver, brincar, apenas me divertir. Imagine só, eu um espermatozóide quê saiu de uma barriga, depois cresce e como ser humano comete tantas desavenças sociais. Jura! Eu não!

Acho que vim de outro planeta, porque é assim que me sinto. Um extraterrestre vendo todo mundo se matar. Ninguém ta aí para nada. Estão todos apenas cumprindo seus papeis. Então não estão cumprindo direito. Saio à noite e vejo tanta hipocrisia, cegueiras da juventude! São as piores! Garotas que não se dão o valor, não têm objetivos. Garotos que fumam maconha, bebem, e usam roupas largas porque está na moda e para “pegar” as gurias. Que planeta é esse? Isso tudo é uma mediocridade! Não há mais educação, falta senso, semancol, está tudo errado.

Entro em desespero e acabo escrevendo um texto para relaxar. Mas nem sempre entendem o que eu escrevo, porque meu ponto de vista é apenas o meu ponto de vista. “E daí que ele pensa assim?” Cada um vive uma ideologia, cada um teve experiências distintas ou parecidas, mas nunca iguais. Mesmo assim, isso não serve de resposta para tudo que meus olhos não vêem, mas meu coração sente.

Estranha realidade. Prefiro mesmo acreditar que não fui um espermatozóide. Como se isso tirasse da minha consciência tudo que passei. Talvez eu esteja me igualando a todos: Fechando os olhos para o que nos obriga abri-los.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Auto-descrição

Confesso que sou estressado. Mas me irrito por coisas pequenas. Quando o problema é grande sou sempre o único a estar tranqüilo e calmo. Alguns me acham louco pelo meu estilo extrovertido e espaçoso. Eu concordo. Sou espaçoso mesmo. Gosto de me sentir em casa, literalmente; quando essa, não for a que eu moro. Às vezes espanto-me com a minha capacidade de conhecer pessoas num piscar de olhos. Sou cara de pau, mexo com o povo nas ruas, chamo atenção, grito, impossível não perceber quando estou chegando. Salvo raras ocasiões. Também sou pacífico e tímido, mas isso depende muito do momento. Levo meu emprego (quando o tenho) a sério quando tenho prazer em realizá-lo. Isto é, amar o que exerço, ou o que irei exercer. Entrego meus trabalhos nos prazos, mesmo que não estejam bons. Procuro ser bastante pontual e detesto que me deixem esperando. Sou organizado, arrumo minha cama todas às manhãs e guardo meu pijama na gaveta certa. CD’s em ordem, livros lidos numa pilha, livros para ler em outra pilha. Tudo é assim. Acredito que se saber colocar ordem em pequenas coisas, saberá colocar ordem em sua vida. Há situações que sou reclamão, chato e intolerável, pareço um velho de 86 anos. Mas também há momentos que sou totalmente simpático, querido e afável. Sei que não sou uma pessoa ruim, jamais faria mal alguém ou teria a intenção de magoar. Mas a influência, ou até mesmo a convivência com pessoas com baixa-estima e de coração maldoso me prejudica. Às vezes fico absorto, há momentos que sou engraçado. E um dos meus defeitos é deixar tudo para depois. Preocupo-me com minha saúde, faço exercícios físicos, mas não deixo de comer porcarias. Ouço os mais velhos, mas sei que nem sempre respeito eles como deveria. Ouço as mulheres e acho incrível o universo delas que muitos homens não tentam entender ou enxergar. Também detesto rotina, mesmo assim não deixo de alimentar alguns vícios que possuo. Mas que fique bem claro que não tenho cacoetes. Adoro dormir tarde e adoro acordar cedo, por isso que há dias que não resisto ao sono matinal. Não tenho grandes crenças, tenho fé no meu Deus sem depender de religiões. Como todo aquariano legítimo amo liberdade, mesmo sabendo que não posso ser livre o tempo todo. A liberdade em excesso pode me desviar do prumo. Trazer-me conseqüências das quais sempre evitei. Vejo que a cada dia que passa é como se meu período diminuísse para os tantos sonhos que quero realizar. Descubro novas paixões, mudo de opiniões, mas mantenho meus objetivos. Acho que isso é importante. Manter uma linha de ideais. Uma linha que você possa enxergar de longe e saber que um dia, você conhecerá o seu fim.

domingo, 10 de junho de 2007

Lágrimas de papel


Não quero lágrimas de papel, quero sentimentos verdadeiros, rótulos inteiros, premissas que sejam de origem dissidente.

Não quero lágrimas de papel, quero apenas a verdade, verdade aquela que você tanto ocultou de mim quando era viva. Mas isso não quer dizer que esteja morta. A única célula que padece em você vem do coração.

Não querer lágrimas de papel é não querer molhar folhas que significaram algo importante para nós. Lembrar de quão valorizado será o que você pensa. Lembrar o quanto você perdeu chorando por pessoas que também derramaram lágrimas de papel inteiras.

É engraçado viver. Você acorda com o seu plano rotineiro em mente, escova os dentes, e têm a esperança de mudar o mundo para melhor. É burrice. As lagrimas de papel rolam em vários rostos com objetivos diferenciados pela sua conduta de vida. Por isso que há tanta maldade no mundo. Por isso que há pessoas boas no mundo.

Não querer lágrimas de papel é bastante circunstancial. Há varias dessas lágrimas, umas se dissolvem mais rápido do que outras. Mas isso também não quer dizer que só por isso elas são mais fracas. O que é válido para os sentidos, reais e irreais, fictícios ou verdadeiros.

Confesso que me sinto perdido, chateado, magoado, mas não só comigo. Sinto-me inflado como se ninguém me entendesse. Por alguns segundos achei que você havia me entendido. Mera ilusão. A vida é uma ilusão. Algumas pessoas realmente acham que podem ser fortes o bastante para não sofrer. Ninguém nunca é forte o bastante. É difícil superar a morte do seu pai. A reprovação escolar para quem valoriza o estudo. O animal de estimação que cresceu junto com você durante anos e teve quer ser sacrificado. Achar-se forte é cegar-se para si mesmo.

Afinal de contas, algum sentido deve ter uma lágrima de papel. Geralmente elas substituem o que você considera mais importante. Justamente aí que aparece seu erro. Infelizmente não consigo expressar o tamanho desespero que sinto quando vejo jovens da minha idade sendo incoerentes. Às vezes acho que não pertenço a esse planeta. Tenho só dezenove anos, mas me comporto como um homem dez anos mais velho.

Também já chorei várias lágrimas de papel, mas as minhas não eram feitas de qualquer função ou produto capitalista. Talvez a grande diferença esteja nas suas decisões. Muitos buscam na filosofia as crenças em que não acreditam na religião. Crer, não crer, importa?

Muitos buscaram na história a solução paralela para os seus problemas. Ter formulas, teorias concretas, ou até mesmo comprovadas por fatos, nem sempre quer dizer que dará certo com aquela pessoa. O que pode dar errado para você, nunca será um erro para outro alguém.

O que você precisa agora é de vertigem. Pense no seu ideal. Não tem? Então faça como eu, chore lágrimas de papel. Só não encha em grandes quantidades baldes feitos de vidro. Esses baldes mostram a sua verdadeira face, a sua verdadeira essência e intenção perante sua índole. Por tanto...tome muito cuidado para não ser desmascarado no momento em que estiver mais vulnerável.

Caso contrário, você poderá ser o motivo de outras lágrimas de papel.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Não machuque os meus pés



Calma. Não aperte tanto os meus pés. Eles também sentem dor. Viu? Falei-te. Chutei seu rosto? Ah, me desculpe. Não tive a intenção. Assim como tu não teve a intenção de me machucar quando me traiu com aquele analfabeto que só sabe beber e fumar. Não sou melhor que aquilo? Devo não ser. Eu não preciso de te, não preciso do teu falso amor nem do teu carinho singelo. Se forem todos da boca pra fora. Tu realmente não sabes dar valor a um homem. Só sabe e quer beijar na boca. Fazer festa. Beber dez litros de cerveja e fumar um maço de cigarros por dia. Talvez ele seja, de fato, seu par perfeito. O seu pé torto. A outra metade da laranja. A folha da sua árvore, enfim...Não quero mais saber noticias suas. É melhor que suma, desapareça. Não me ligue, não me peça flores, porque somente às dou para quem é digno de merecimento. Pra ti posso dar um aperto de mão. E isso já será de mais. O que? Estás chorando? Pare de drama, foste tu quem quis assim. Tu que me traíste com um mulherengo só porque ele tem mais músculos do que eu. Esta na hora de tu aprenderes que músculos não é significado de cultivos amorosos. No máximo terás uma aventura com aquele “Dom Juan”. Se tu soubesses me valorizar, tu entenderias que tudo que fiz por te não foi em vão. Os dias que eu acordava cedo para ti levar café na cama, os dias em que eu saía do trabalho mais cedo para dar tempo de comprar algo que iria agradar você. Tudo foi para o lixo. E a lixeira veio à tona quando tu me disseste que foste em um chá de panela (só para mulheres), e a encontrei semi-nua num banheiro sujo da boate mais mal freqüentada da cidade. Talvez tu não estejas madura o suficiente para mim. Saberei superar essa dor como superei tantas outras. Tu não foste a única que me decepcionaste. Não te preocupas. Chegará o dia em que tu também amadurecerás, e espero que quando esse dia chegar tu não se arrependa do que fizeste, porque acredite, esse sentimento dói muito. Quero que sejas feliz, e entenda que tudo que passamos juntos termina aqui, virando história para ser contada. É verdade, fomos felizes. Fomos. Agora já não mais. Talvez eu também tenha errado; se tu me traíste foste por que eu não soube expressar corretamente o que sinto. Será? O que não quero agora são desculpas. Entenda que até posso perdoar você, mas o perdão não é e nunca será sinônimo de retificação. Nos sentimentos o jogo é bastante sensível. Uma vez que tu te erras podes ser perdoado, mas teu erro dificilmente será corrigido com a mesma pessoa. Espero que possa corrigi-los com outro alguém com quem sejas realmente ditosa. Pode até ser com esse “Dom Juan” do qual eu disse anteriormente que seria apenas uma aventura. Mas quer saber? Mesmo assim tu tens um péssimo gosto. O que me deixou mais chateado foi o fato de tu só veres a beleza externa dos seres humanos. Quanta hipocrisia a sua. Quanta ignorância a sua. Vejamos juntos, outras possibilidades de seguirmos nossas vidas separadas. Boa sorte com o seu futuro, boa sorte com a sua vida. Antes de me despedir, queria saber o que em mim não lhe agradou? O quê? Foram minhas cutículas? Sempre as odiei. Foi meu cabelo? Foi meu jeito de ser? Saibas ou não, eu já sofri muito quando pequeno. Tive que enfrentar as minhas convulsões na infância a base de remédios diários. Enfrentei. Hoje não vivo a mercê de remédios, vivo a mercê das minhas decisões. Quando perdi meus pais biológicos aos cinco anos de idade, eu não sabia ao certo o que tinha acontecido. Hoje eu sei. E vivo minha vida tendo em vista no que de pior um ser julgado racional pode passar. “Graças” ao meu tratamento das convulsões não posso tomar bebidas alcoólicas, nem usar qualquer tipo de entorpecentes. E tu achas que isso me deixas melancólico? Muito pelo contrário, guria! Hoje eu posso ir numa festa dirigindo e voltar lúcido, e ainda o melhor: Lembrar-me do que eu fiz na noite anterior sem vomitar nada no chão, nem ter dor de cabeça ou qualquer outro mal estar. Sou uma pessoal saudável, vivo bem e sou feliz. Não estou privado de ter decepções como essa que tive contigo. Pois pessoas como você que não sabem dar valor ao que mais sagrado tem nas mãos, no mundo, nunca vai faltar. O diferente é que marca. E aliás, me desculpe por ter chutado seu rosto, mas tu apertaste muito forte meus pés, pode levantar-se, sua imploração não será o suficiente para recuperar um cristal quebrado em mil pedaços.

domingo, 13 de maio de 2007

A última chance

Em uma noite escura Laura decidiu sair de casa, brigada com o marido, foi parar em um bar. O mais estranho é que ela não lembrava de como chegou até aquele estabelecimento. Foi como um lapso. A sua memória apagou todo o percurso que ela fizera. Ela entrou no bar. Olhou. Nada. Nada lhe chamava atenção. Até que um rapaz alto, bonito, definitivamente encantador, cometeu o pecado de lhe dirigir a palavra. Laura é uma mulher madura, 37 anos de vida, mas seu corpo representava bem menos. O jovem rapaz aparentava ter entre 25 a 28 anos. Laura apenas escutou as poucas frases do rapaz antes de ignorá-lo. Ela não tem o hábito de dar atenção a “moleques” que, volta e meia, aparecem a sua frente tentando algo com segundas intenções. Mas naquela noite, naquela noite Laura iria vingar-se do marido. Ela nunca tivera traído o esposo com homens mais novos. Ao menos, até então. De forma súbita, ela vira-se e diz:

- Sentes atração por min?

O jovem sem muita reação responde:

- Sinto.

Laura continua:

- Então me desejas?
- Tu nem imaginas o quanto.
- O que estás esperando para me tirar daqui?
- Mas eu nem sei seu nome.
- Há outras coisas mais interessantes a descobrir em mim do que meu nome.

O rapaz a pega pela mão e a leva até o carro. Laura sente algo estranho. Mas não sabe explicar o quê. O jovem entra no carro e diz:

- Hoje, Laura, é seu dia de sorte.
- Como? Tu me chamaste de Laura?
- Exatamente.
- Mas eu não disse o meu nome.
- Não disse, mesmo.
- Então como sabe?
- Acalma-se Laura, nós sempre recebemos a lista com o nome de cada um que devemos buscar.
- Buscar? Do que está falando?
- Durante muito tempo tu ignoraste teu marido, repugnou o seu amor, e ainda achavas que a culpa era dele. Mas o problema sempre foi você. Tu nunca aproveitaste tua vida ao lado dele, nunca fez nada para deixá-lo feliz. O trocava por outros homens, com a exceção a homens mais novos, como eu. O meu superior adora mulheres como você.
- Teu superior? Como sabe de tudo isso?
- Laura...Laura...tua última chance de se salvar tu desperdiçaste oferecendo teu corpo a mim.
- Tu estás me assustando! Vou embora!
- Tu não vais a lugar algum, Laura. Ainda não percebeu? Você está morta.

sábado, 28 de abril de 2007

Escolhas

De nada adianta termos a consciência de ser feliz, se a felicidade está no seu inconsciente. É como juntar uma fábula e divulgá-la para todos os céticos: Nunca obterá resultados satisfatórios. A vida nem sempre nos trás resultados satisfatórios. Uma vez que a vida é o aprimoramento de questões absorvida ao logo do seu tempo. Procuramos entender os outros sem nos entender. Procuramos fazer os outros felizes sem sermos felizes. Procuramos dar o melhor de si, quando na verdade um simples abraço já bastaria. Existem situações que a demasia significa a abundância de um desejo sem sentido. Isso quer dizer que seu sorriso, por muitas vezes já seria capaz de ganhar uma confiança inconfiável. Não precisamos nos entregar ao todo por um amor, devemos nos entregar em parte, e deixe que a outra metade a pessoa amada conquiste. Dessa forma ela também amará você, mas não pelo que você possui, e sim pelo que você é e demonstra ser. Não se menospreze, nem diga que odeia o seu corpo. Ele, o seu corpo, é o material mais importante que o representa para o mundo; é por ele que você pode se expressar de maneira simbólica ou não. O importante não é a simbologia, mas como você simboliza. O segredo de uma vitalidade longa até pode estar na receita dos médicos, mas a principal receita está em nossas mãos, todos os dias. Quando você acordar e olhar pela janela, procure observar nos detalhes, nos mínimos detalhes. Quando enxergá-los, você entenderá que, passaram-se anos e anos e você nunca tivera notado aquele pedaço de parede pintado erroneamente de azul. Aquela árvore que nunca dava frutos, aquele passarinho que cantava no mesmo horário. Mas você por negligência de convívio nunca reparou. A nossa convivência nos torna cegos perante muitos acontecimentos. Aí chega a uma fase da vida que começamos a nos arrepender de não ter abraçado o pai e a mãe quando eram para serem abraçados. Não ajudamos o irmão no momento em que ele mais precisou de nós. Não oferecemos solidariedade, porque a trocamos por hipocrisia. Vemos que a metade de nossa vida foi trocada por meios sem valores, sem uma reposta que tanto procurávamos. Você chora, aprende, diz estar arrependido, mas lá vai tempo de novo, e o tempo pode ser sim o amigo em ocasiões de sofrimento, mas é também seu pior inimigo do passado. Ele, às vezes, apaga da sua memória o beijo da pessoa que mais lhe amou no colegial. No entanto, você nunca deu atenção aquele beijo. Ela/ele não servia para você porque naquela época você pensava que sabia o que era melhor para sí. Até entendermos que se chegarmos aos 70, vamos pensar: “Já sabemos muito, porque aprendemos muito”. Não enganemo-nos. As nossas experiências são frutos do passado, mas, nunca será a sabedoria do futuro. Por isso que comprar conselhos é como jogar na mega-sena, nem sempre você será premiado. Contudo, lembre-se que sua vida não depende do prêmio. Não depende do dinheiro. Não depende de bens materiais. A única coisa pela qual você sempre deverá lembrar é que por mais que você esforce-se e consiga realizar mil ações benéficas, nunca será reconhecido corretamente. Você sempre será julgado por um erro que cometeu e entenderá que suas ações benéficas serão apenas um exemplo do qual pode ou não ser seguido. Caímos na tentação do dinheiro, da beleza física e chegamos ao fim do buraco negro. É importante você saber que na sua jornada de vida, você terá ideologias, políticas e decisões mediante critérios pré-estabelecidos, às vezes por você, às vezes pela sociedade que acha saber diferenciar o certo do errado. Você não poderá correr para qualquer lado, terá que saber escolher, e isso, saber escolher, compromete todas as nossas atitudes. Condenamos-nos a perpetualidade do erro ao sabermos que temos a liberdade de escolher. A vida é assim, apartir de uma escolha podem abrir várias portas, mas muitas outras serão fechadas. E vai saber se aquela que foi fechada, não era a que você mais precisava?

terça-feira, 24 de abril de 2007

Discutindo a relação

Ela entrou no quarto já se queixando. Seu namorado, no entanto, estava apenas deitado na cama lendo um livro. Seria o momento perfeito para terminar o namoro:

- Vou embora! – Disse ela.
- Vá. Mas não demore.
- Acho que não entendeu, vou embora da sua vida! Não aguento mais!
- Relaxa.
- Relaxar? Como vou relaxar! Tu és louco!
- Aham.
- Não aguento mais, sua calma, seu jeito de ser, seu bafo de álcool pela manhã, e suas cuecas sujas no chão do banheiro! Cansei, tá? Cansei!
- Tudo bem, vá embora.
- É assim, fácil? Não vai implorar para que eu fique?
- Não.
- Ótimo! Vou embora, mesmo! Já que não faço falta, depois não vá chorar me ligando de madrugada!
- Nunca ti liguei de madrugada.
- Como, não? E aquele dia em que estava bêbado?
- Não conta, eu estava bêbado.
- Tu és repugnante!
- Relaxa.
- Não vou relaxar! Já te disse que vou embora! Não vou relaxar! Entendeu?
- Sim. Mas relaxa.
- Arg! Vou matá-lo!
- Entra na fila.
- Tu sempre foste assim com todas?
- Sempre. E ainda estou vivo.
- Onde está minha mala?
- Na sua casa, tu nunca trouxe mala nenhuma pra cá.
- É verdade, facilitou, vou embora mais rápido.
- Já faz dez minutos que tu estás indo embora, meu amor.
- Está debochando, é? Achas que não vou embora?
- Acho.
- Pois bem! Então vou embora!
- vá.
- Nem vai se despedir?
- Estou lendo meu livro.
- Então seu livro é mais importante do que eu?
- No momento, sim, você está indo embora.
- Como é que é? Isso é um absurdo!
- Relaxa.
- Mas que droga! Chega com esse “relaxa”! Eu não vou relaxar enquanto estiver aqui com você!
- Tudo bem, vá embora.
- Como é? Quer que eu vá embora? Pois agora que eu não vou! Irei contrariá-lo! Não vou mais embora!
- Como se isso fosse novidade. E tu ainda querias que parasse de ler meu livro.
- Largue esse livro e me beije!
- Pensa que manda.
- Me beije!
- Relaxa. Até pouco tempo você estava indo embora, agora quer que eu a beije.
- Tudo bem, vou relaxar, vou beijar outro.
- Com se não beijasse.
- O quê?! Você acha que eu lhe traí?
- Não. Tenho certeza.
- Eu nunca lhe traí!
- Como, não? E aquele homem da noite em que estava bêbada.
- Não conta, eu estava bêbada!
- Bom, então você me entende.
- O quê? Que tu não me ligou de madrugada porque estava bêbado?
- Não, que eu já te traí.
- Tu me traíste?!
- Sim.
- Ó, não acredito! Seu cachorro! Homem é tudo igual, mesmo!
- Não sei por que vocês escolhem tanto, se homem é tudo igual.
- Vou embora!
- De novo?
- Mas agora eu vou!
- Relaxa.
Se tu me disseres mais uma vez pra relaxar eu juro que lhe dou um soco!
- Nossa, quanta violência, o que acontece com aquele beijo?
- Enfia na tua bunda.
- Relaxa.
- Tens razão, vou relaxar, mesmo, agora que estou indo embora.
- Demorou.
- Como é? Não ouvi!
- Limpa os ouvidos.
- Tu está me chamando de surda?
- Não, de porca.
- Porca? Bem eu que sou porca! E as suas cuecas cagadas no banheiro? Aquilo não é porquice?
- Pelo menos eu não deixo as minhas calcinhas na pia.
- Eu nunca deixei calcinha na pia do banheiro!
- Mas deixou na da cozinha.
- Muito menos na da cozinha!
- Relaxa.
- Eu vou embora! Agora chega!
- Tá.
- Tá? Só isso? Um simples “tá”?
- O que tu querias que eu fizesse?
- Que tu agisses como homem, e me impedisse de ir embora!
- Por que eu faria isso?
- Por que você me ama!
- Amava.
- Você não me ama? É isso? Acabou tudo entre nós?
- Exato.
- Não acredito que você terminou comigo! Como pôde? Eu não vivo sem você!
- Então não devias ir embora.
- Mas eu não vou, só queria que você demonstrasse algum carinho por min!
- Ah, porque não falou antes, era só isso?
- sim.
- Então vá embora.
- O quê?
- Estou brincando, me beije.
- Sim, ó amor, eu te amo tanto.
- Eu também te amo, minha linda.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Eis o e-mail que recebo:

Olá, Luan! Meu nome é Diogo Fuentes, sou estudante de medicina da Ufrgs de Porto Alegre. Quero lhe dizer que sou fã das tuas crônicas e queria te pedir um favor. Abaixo segue um texto, mais precisamente uma carta que mandei para minha ex-namorada. Estava de cabeça quente no dia que a escrevi, mas passado certo tempo resolvi ler com mais calma e acabei percebendo que essa carta reflete muito a situação corriqueira que nosso país vem vivendo. Peço-lhe que deixe o meu preconceito de lado referente aos estilos de vestimentas, levando em consideração, como afirmei anteriormente, que estava de cabeça quente no dia que escrevi tal texto.

PS: Se publicar esse texto em um dos seus sites, por favor não revele meu e-mail.

Aguardo seu retorno!

Abração do fã Diogo Fuentes.



Carta de decepção amorosa:

“Cansei. Não vou mais perder meu tempo fazendo você enxergar o inevitável. Para falar a verdade não sei o que você viu naquele pobre coitado. Pois é isso mesmo, não existe outra definição para aquela criatura senão pobre coitado. Com aquelas calças limpa-chão, largas, arrastando no meio da rua, o fundilho lá em baixo. Mas, não, você acha bonito. Você também deve achar bonita a camiseta dele, com o número três vezes maior do tamanho que ele deveria usar. Claro, não posso esquecer do boné virado para o lado. O linguajar também é importante. Gírias enfáticas como “mina” e “loco”, deve deixar a mulherada com orgasmos! Como é? Liberdade de expressão? Se for por isso vou começar a andar pelado na rua, vou exercer minha liberdade de expressão! Isso é ridículo! Esses garotos mal sabem falar o português e usam aquelas roupas americanizadas, de raper, jogador de basquete, skatista...e por aí vai. Ora, por favor! Tudo bem, eu sei que existe gosto para tudo, mas aquilo já não é mais gosto é falta de opção, e tu não estavas com falta de opção. Vós já vistes como eles caminham? Se embalançando pra lá e pra cá, se arrastando, parecem que estão cagados. E você me trocou por aquilo? Por Deus! Eles bebem cerveja, cachaça, pinga, tudo com um só nome: Trago. É essa vida que você quer? Depois não vai voltar correndo para min dizendo que cometeu o maior erro da sua vida. Esse garoto por quem tu me trocaste fuma como um dragão, e cigarro é para momentos de lazer, o que eles gostam é de maconha mesmo, eles querem ficar doidão “prás mina” acharem bonitinho. Aí é óbvio que a sociedade não evoluirá, eles não gostam de estudar, e não se interessam pelos problemas que o país venha a ter. Justamente porque eles acham que não é problema deles. O que eles se preocupam de verdade é com o dinheiro do pai, pra bancar roupas e a escola que reprovam várias vezes. Muitos deles nem tem os pais para os bancarem, muitos roubam. Mas agora é nisso que você viverá. Esqueça as aulas de espanhol que lhe dava com tanta paciência. Aulas de violão? Não lhe ensinarei mais nenhuma nota! Você não terá mais nada disso! Vai aprender a andar de skate ou jogar basquete. Não que isso não tenha futuro, mas deve saber escolher as pessoas certas para ensinar o que, de fato, sabem, e não que se rotulam. Você vai namorar com esse marginal, vai casar com ele, vai viver apanhando e ele vai te trair. Mesmo assim vocês não deixarão de ter filhos, e serão vários. Pobre é assim, tem bilhões de filhos e nunca consegue sustenta-los. Aí mandam para sinaleira arranjar um dinheirinho para janta. Esses filhos vão crescer e uma grande porcentagem deles vai ser a cópia viva do pai. Não vai se interessar por estudo, vai acabar roubando, indo para o tráfico, matando pessoas inocentes achando que está comandando uma revolução socialista. Provavelmente esse seu filho morrerá cedo, já que a vida no tráfico é curta, ou você mata ou morre. Um dia ele não vai conseguir mais matar. E você vai olhar para trás e se arrependerá profundamente. Eu já vou estar formado em medicina, fazendo mestrado em Londres, e tu lá com filhos marginais e o marido com seqüelas. Mas que saber? Tu mereces isso e muito mais! Se tu sentes atração por pessoas assim, é porque tu fazes parte do mesmo ciclo, e mulheres que se relacionam com pessoas desse nível são mulheres que não se dão o valor. E sabe do que mais? Não fico com mulheres que não se dão o valor, pois o valor é resultante do respeito e o amor a si próprio, enquanto você não tiver isso, nunca conseguirá enxergar tudo o que fiz por você. Adeus.”