As árvores não estavam corretas no balançar dos galhos. Olho pra cima e noto um arco-celeste refletindo meus sentimentos renovados. Parecia, e juro que por um segundo parecia uma metáfora atual de minha existência. Sorri. Chorei. Sentei rente à raiz do tronco e passei a ouvir outro ser vivo, de pele semelhante a minha, com feridas tão similares das quais eu lidava diariamente. Fechei as pálpebras com o intuito de descobrir a volição, a fúria da natureza. Meus cabelos não tinham controle sobre a situação. Minha mente tomava voo livre. Livre. Livre. Livre... era liberdade. Era vida. Agora o balançar dos galhos retribuíam sentindo a mim. As folhas secas tornaram-se úmidas. A chuva acometia meus poros como nenhuma outra alma amante acometeu. Eu estava respirando transformações: eu era a terra, era o ar, era a água, era o fogo; eu era... a soma dos catetos igual ao quadrado da hipotenusa. Nada vertiginoso, mas, no mínimo, aceitável.sábado, 22 de maio de 2010
Sou...
As árvores não estavam corretas no balançar dos galhos. Olho pra cima e noto um arco-celeste refletindo meus sentimentos renovados. Parecia, e juro que por um segundo parecia uma metáfora atual de minha existência. Sorri. Chorei. Sentei rente à raiz do tronco e passei a ouvir outro ser vivo, de pele semelhante a minha, com feridas tão similares das quais eu lidava diariamente. Fechei as pálpebras com o intuito de descobrir a volição, a fúria da natureza. Meus cabelos não tinham controle sobre a situação. Minha mente tomava voo livre. Livre. Livre. Livre... era liberdade. Era vida. Agora o balançar dos galhos retribuíam sentindo a mim. As folhas secas tornaram-se úmidas. A chuva acometia meus poros como nenhuma outra alma amante acometeu. Eu estava respirando transformações: eu era a terra, era o ar, era a água, era o fogo; eu era... a soma dos catetos igual ao quadrado da hipotenusa. Nada vertiginoso, mas, no mínimo, aceitável.quarta-feira, 21 de abril de 2010
Crime-amor
domingo, 11 de abril de 2010
O monomotor da felicidade
Corria desesperadamente pelo matagal de Ortiz, localizado a dois quilômetros de casa. O dia estava bonito – céu claro, sol à meia altura –, acima da minha cabeça um monomotor fazia seu trajeto, razante e poético. O piloto era meu vizinho Juemir. Um homem de 40 anos que descobriu a liberdade ao sabor das nuvens. Sempre aos domingos, durante a tarde, ele voava. Para mim, o barulho do motor soava como música. Sempre quis fazer o que Juemir concretizava nos ares: o sentimento de leveza guiado por asas de policarbonato. Decidi voltar, já era hora do almoço e minha mãe se posicionava indignada ao pé do marco da porta de casa sempre em que eu chego três segundos atrasados, sentenciados a partir das onze e meia da manhã. Ao correr, sentia o matagal roçar minhas pernas pálidas de sofrimento, o barulho alucinógeno do monomotor fica para trás, eu deixava minha vida naquele campo para servir de operário dos meus pais.O almoço estava servido. Encontrei meu vô sentado numa das cabeceiras da mesa. Noutra, estava meu pai, ávido e rancoroso. Meu pai era uma das poucas pessoas no mundo capaz de transportar 37 personagens dentro de si. Se fosse possível, acordaria 37 vezes ao dia e daria sentido aos 37 atores que se demonstravam perante a sua face no decorrer do rotação da Terra. Se tratava de um caso “múltiplo de bipolaridade”. Àquela hora, no fatigoso almoço, ele transmitia indignação e reclamava do avião do vizinho. Disse que iria matar o piloto um dia. Eu acreditava nas declarações do meu pai. Na sala ao lado havia uma espingarda dos anos 80, otimizada, feita para dilacerar qualquer pessoa que se metesse à frente. Além do mais, meu pai poderia ter 37 motivos para matar o vizinho. Ao lado direito dele, na horizontal da mesa, minha mãe, entristecida pela vida, servia comida ao meu irmão Juca, de cinco anos. Prezei pelo silêncio erguido pelo momento, comi uma ou outra colher de arroz e feijão e me retirei. Encontrei no meu quarto a janela dos meus sonhos. Ao fundo, ainda admirando o tempo bom que se firmava, eu via a calda do monomotor de Juemir. A paisagem era bela, afrodisíaca. Não lembro quanto tempo permaneci naquele estado de êxtase, o que recordo é de uma interferência sonora. Da paisagem, testemunhei o inferno. Fogo. Chamas. Gritos. Eram conseqüência do tiro de espingarda proveniente da minha casa, manuseada por uma das 37 pessoas que habitavam meu pai. A bala foi certeira. Acertou o cubo do monomotor, travou a hélice e derrubou o avião. Juemir estava morto.
Uma semana depois.
- Dona Nena não toma jeito, olha o vestido dela. Parece uma toalha de mesa.
- Não seja idiota, é da época dela. Ela gosta dessas coisas.
- Mas ela pode gostar em casa, onde ninguém vê isso. Fora a parte física. Sobra carne para manga.
- Deixe de ser maldoso.
- Cara, cansei dessa aula de português. Eu vou dar no pé. Vai ficar por aqui?
- Eu gosto desse conteúdo, vou ficar sim.
- Boa sorte, cara. Fui.
Vinícius saiu pela porta da sala de aula sem que a professora o visse. Era um colega irracional, imaturo e negligente com os estudos. Estávamos em uma turma do terceiro ano do ensino médio onde eu era o único que falava o português correto. É o carma das cidades do interior. Vila Maria do Sul fica a 680 qulômetros de Porto Alegre. Aqui há mais mato do que casas. A única alegria da cidade era o monomotor de Juemir. Uma semana depois do crime, a cidade ainda murmurava aos sete ventos o ocorrido. Me sentia hostilizado por alguns colegas e pessoas que cruzavam comigo na rua. Afinal, sou filho do assassino. Meu pai sumiu depois de abater a aeronave, e quem paga a conta é a nossa família. Voltando ao colégio, Dona Nena era irmã de Juemir. Em 40 minutos de aula, ela não olhou, sequer por um segundo, uma única vez para mim. Ao contrário do seu irmão, que se fazia presente em espírito. Ele ocupava uma cadeira muito próxima de Dona Nena. Enquanto ela escrevia no quadro, Juemir olhava para as costas da irmã com admiração. Mas, na sequência, de forma abrupta, Juemir se vira para trás e me fita com louvor. O sinal toca. A aula acaba. O espírito desaparece. Dona Nena baixa a cabeça e só escuta a pressa dos alunos sair pela porta.
Voltei para casa desesperado, agora pelo susto causado pelo espírito. Quando cheguei, presenciei minha família inteira aos prantos. Estavam todos desolados, inclusive meu pai e o vizinho, Juemir. Fique perplexo, confuso, o que estava acontecendo? Meu pai voltou? Juemir não está morto? E por que estão todos chorando? Com medo de cada passo que eu dava, entrei na sala e ninguém notou pela minha presença. Dei mais alguns passos e, na sala ao lado, próximo a mesa de jantar eu avistei um caixão. Receoso quanto ao corpo que poderia estar lá dentro, me aproximei. Foi um momento de pura descoberta. Dentro do féretro feito de madeira oca, com pouco conforto no seu interior, eu me vi de olhos fechados e com as mãos cruzadas sobre a barriga. Era eu que estava morto. Novamente desesperado, voltei a correr pelo mesmo caminho, notei que não sentia mais o mtagal roçar minha perna. Ao fundo, pudia avistar Vinícius, que corria em minha direção; de longe já se ouvia os seus gritos:
- Nós estávamos naquele avião! Nós estávamos naquele avião!
Ainda desconecto, não ligava ponto a ponto, mas entendi o que havia acontecido. Quando finalmente eu conquistei meu sonho de liberdade, alcancei o plano de voo da morte. Devo, ao menos, ter morrido feliz.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Era uma vez, novamente
Voltar a escrever é como voltar a matar, de certa maneira. Passamos horas, dias, semanas, meses sem tocar em nenhuma sílaba, sem proliferar idéias, pensamentos e teorias. Quando regressamos para este mundo literato, literal e barato, sentimos saudade de quando éramos apenas flores imaculadas em marasmo, bordadas em casas vazias, sem cede de vontades, sem sangue de mudanças. Não sei ao certo o que provoca nossos retornos. Este humilde e pobre blog ficou desacompanhado por meses, me tornei ausente por pura e dedicada deselegância. - Resolvi parar, ora. Dar um tempo. Sossegar as palavras. O problema (ou seria a solução?) é que nunca paramos, verdadeiramente, de ditar palavras para papeis ou para programas de computador. Então, é como envenenar a própria mente, fornecer combustível aos anseios de quem tem paixão por criar e, ao cabo de tudo, nos deleitamos e deitamos sob preguiças. Cá estou lutando para me opositar. Carrego tantas personalidades dentro de mim que seria um desumano desperdício não dividi-las com meus personagens. Preciso criar as verdades, comprovar as mentiras, e matar minhas tolices e desleixos por meio desta prática reinventada por tantos e praticadas por poucos. Que seja breve enquanto dure. Que seja eterna enquanto ame.sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
O caos do pensamento...

Dando margem ao nordestino da MPB, Lenine tem me conquistado a cada frame de segundo. A cada dia, a cada noite, a cada luar... A cada rotina ensandecida.
Lenine é Lenine. Ele nos traz o caos do pensamento, a sombra do futuro, a sombra do passado, que assombram a paisagem...
Esta humilde canção tem embalado melodias da minha batida, notas da minha vida, arranjos do meu viver.
Eis a letra:
Daqui desse momento
Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
Às vezes é um instante
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.
A lógica do vento
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Redes e Relacionamentos sociais do século XXI
Ele compra um café, mas só pode pagar em cartão de crédito. Ela não aceita cartão, somente dinheiro. A dívida é anotada em um bloco de papel. Ela solicita algumas informações:
- Qual teu nome?
- Ramirez...
- Ramirez ...?
- Ramirez miakovich.
- Pode soletrar?
- M-I-A-L-C-O-V-I-C-H.
- O.K; E qual teu ramal?
- 1354... não, não, perdão. É 5754. Quer meu telefone também?
- Pode ser.
- 99447748
- Você tem twitter? Nós temos serviço de cobrança instantânea.
- Ah, claro: twitter.com/ramirezmial
- O.k. Obrigada.
- Posso pagar pelo twitter também?
- Depende, tua message page tem débito automático?
- Ainda não, trabalho com crédito.
- Então, lamento.
- O.k. Então vamos fazer o seguinte. Se eu te pagar em dinheiro tu aceitas sair comigo?
- Vejamos... e para onde tu me lavarias?
- Hum... Depende para onde estaria disposta a ir.
- Por quê não tenta advinhar?
- Não sou bom nisso.
- E tu és bom em alguma coisa?
- Quem não experimenta não descobre.
- Me dê um gostinho... o que estarei perdendo?
- Na prática, alguns reais pelo café. Na teoria, uma noite de amor.
- Ual. Você vai direto ao ponto.
- Verbalmente sim.
- O.K. Cowboy, se eu te deixar pagar em crédito tu prometes não me incomodar mais?
- Se tu prometeres sair comigo.
- Eu não vou sair com contigo.
- Tudo por causa da minha dívida?
- Tudo por causa da tua audácia.
- Então eu pago o café em dinheiro.
- Comé?
- Eu disse que pago em dinheiro.
- Mas eu já disse que não vou sair contigo.
- Bom, a gente pode parcelar...
- Aff... você tem o novo orkut?
- Tenho.
- Então me mande o convite para o novo orkut, tá bom? Aí aceito sair contigo. Mas só uma noite. E sem sexo.
- Sem sexo?
- Tu tem carro?
- Sim...
- Então apenas uma noite.
- Combinado.
- Tu me ligas.
- Com certeza.
- Beijos, Cowboy.
- Até mais, gata.
- Qual teu nome?
- Ramirez...
- Ramirez ...?
- Ramirez miakovich.
- Pode soletrar?
- M-I-A-L-C-O-V-I-C-H.
- O.K; E qual teu ramal?
- 1354... não, não, perdão. É 5754. Quer meu telefone também?
- Pode ser.
- 99447748
- Você tem twitter? Nós temos serviço de cobrança instantânea.
- Ah, claro: twitter.com/ramirezmial
- O.k. Obrigada.
- Posso pagar pelo twitter também?
- Depende, tua message page tem débito automático?
- Ainda não, trabalho com crédito.
- Então, lamento.
- O.k. Então vamos fazer o seguinte. Se eu te pagar em dinheiro tu aceitas sair comigo?
- Vejamos... e para onde tu me lavarias?
- Hum... Depende para onde estaria disposta a ir.
- Por quê não tenta advinhar?
- Não sou bom nisso.
- E tu és bom em alguma coisa?
- Quem não experimenta não descobre.
- Me dê um gostinho... o que estarei perdendo?
- Na prática, alguns reais pelo café. Na teoria, uma noite de amor.
- Ual. Você vai direto ao ponto.
- Verbalmente sim.
- O.K. Cowboy, se eu te deixar pagar em crédito tu prometes não me incomodar mais?
- Se tu prometeres sair comigo.
- Eu não vou sair com contigo.
- Tudo por causa da minha dívida?
- Tudo por causa da tua audácia.
- Então eu pago o café em dinheiro.
- Comé?
- Eu disse que pago em dinheiro.
- Mas eu já disse que não vou sair contigo.
- Bom, a gente pode parcelar...
- Aff... você tem o novo orkut?
- Tenho.
- Então me mande o convite para o novo orkut, tá bom? Aí aceito sair contigo. Mas só uma noite. E sem sexo.
- Sem sexo?
- Tu tem carro?
- Sim...
- Então apenas uma noite.
- Combinado.
- Tu me ligas.
- Com certeza.
- Beijos, Cowboy.
- Até mais, gata.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Fidelidade
Abro mão de muita coisa para alcançar o papel que ocupo na sociedade. Inclusive de uma vida pessoal e de um sentido para esse espaço que utilizo sem existir, fruto de um fiel e doloroso autoengano.Pobre blog. É quem acaba sofrendo as consequências.
O que vou dizer dos leitores?
Meu silêncio me mantém como um nobre contribuinte fajuto e, minhas escritas, como um ignorante sagaz viril.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Personagens

De onde escrevo o calor é completamente desconfortável. Sinto algumas gotas de suor escorrer pelo rosto. No espaço acima de mim, as pás do ventilador não dão conta de distribuir a temperatura abaixo do que se espera de um objeto como esse. Então, em meio ao assassinato planetário, cujas conseqüências se ramificam por todo meu corpo – desde a mensagem que permito passar com a vestimenta curta até as condições térmicas do meu organismo – decido voltar a escrever.
Entretanto, não é um momento propício a expressar pensamentos por meio da escrita. Ao menos, quando o calor é escaldante, eu não consigo assentar ordenadamente alguma epístola que anseio sentir ao transmiti-la. Mesmo assim aceito o desafio proposto por mim. Estou trancado em casa há quase 72 horas; lá fora vejo um mundo, apesar de quente, colorido. Apesar de colorido, imundo.
Amanhã dou início a uma nova etapa de minha vida acadêmica, profissional e colorida. É um passo importante que descodifica toda raiz madura e idealista quando se possui 21 anos transcorridos. O martírio do oxigênio sujo dá lugar à nostalgia. O que iremos encarar pela frente? A vida é tão breve, tão misteriosa e tão desbravadora.
Às vezes, ao notar o compasso do cotidiano e expressões faciais levemente interpretadas por atores que me cercam, peco no depósito excessivo de confiança cedido a seres da mesma essência que eu. Eu não aprendo a ser maledicente, o mundo é que me dá suporte para a maledicência; e quando falo em ‘mundo’, me refiro a tudo que o compõe. Toda essa história barata vendida por nós, por deuses e pela ciência. Pregamos-nos para o (in)falível quando não temos respostas na ponta da língua.
De qualquer maneira, continuarei depositando confiança aos mesmos seres. Porque acredito na nossa qualidade de pensamento. Porque ainda creio em nossas capacidades cognitivas enquanto sofremos com as nossas habilitações sociais e naturais. Pois bem, a consciência está aí, e bate à porta de cada um que manifesta desprendimento do comum, do usual, ao que os olhos estão acostumados a enxergar. Esta é apenas uma opinião parcial de quem sente tradicional desespero existencialista, de quem sente muito, mas muito calor. De quem irá sair de casa neste instante para respirar a finitude da nossa poluição.
A nova etapa profissional e acadêmica me cairá bem. Preciso conhecer sabores diferentes dos que já provei. Seja em qualquer meio que me insiro. Só assim poderei provar, ainda que prematuramente, o valor da confiança. Eu não sou maledicente, sou muito mole para isso. Sou repleto de sentimentos e (ir)racionalidades. Eu deveria carregar muralhas dentro de mim. Mas as forças renováveis que transporto de um lado para outro despeitam sonhos e mais sonhos. Muitos eu já alcancei. É uma sensação única sentir o alcance deste sonho. É ficção – partindo do princípio. A realidade é crua e arde em falso. O jeito é reinventar, renovar. Seja uma vida inexplicada, uma confiança quebrada ou um calor desconcertante;
Necessitamos nos reinventar a cada segundo, ou nos renderemos a descompaixões eternas de nossas mentes que jamais perdoaram realistas amargos. É por isso que existe a ficção. E é por isso que temos os nossos próprios personagens.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Tendo a lua
Despertei na manhã desta terça-feira desejando ouvir algumas letras que traduzem os nossos momentos, que são levados pela brisa do vento ao mais interior de nossas incertezas. A melodia também é importante, como harmonia que toca com um ínfimo polegar a nossa sensibilidade emocional, nossas raízes, com o nascimento da nostalgia. Tendo o mundo. Tendo a terra. Tendo o sol. Tendo a lua...Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim
O céu de ícaro tem mais poesia que o de galileu
O céu de ícaro tem mais poesia que o de galileu
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu
Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutua
Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares
Mas de bailarinos
E de você e eu.
Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim
Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutuaMerecia a visita não de militares,
Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutuaMerecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.
Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutua
Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares
Mas de bailarinos
E de você e eu.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Consciências de segunda-feira
Prometi que voltava a postar na coluna, porém nunca pensei que fosse escrever em plena segunda-feira. A chuva (por aqui), uma grande aliada ao sono, à leitura, à persistência de filmes em canais abertos e fechados, me apresenta a realidade escarnecida. Vivo uma das fases mais heterogêneas de minha vida. Uma variação de humor incrível. Alguns desejos animalescos, outras decepções incuráveis que cercam toda espécie de relacionamento. Mas quer saber? Acho que estou sabendo lidar com as circunstâncias que me convém. É o risco que corremos ao saborear as escolhas. Por vezes me impressiono com as mudanças, como elas podem ser tão drásticas e tão sutis no mesmo segundo. A existência está recheada de surpresas agradáveis e desagradáveis. O equilíbrio é uma das chaves que resguarda a nossa natureza saudável, a nossa felicidade utópica e, claro, a nossa razão irracional... Ah, maldita e bendita seja a nossa consciência.
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