Coluna do Luan

terça-feira, 22 de abril de 2008

E aí, como foi o feriado?

O primeiro dia depois do feriado é sempre, no mínimo, curioso. O sujeito chega ao trabalho e de cara ouve a pergunte culminante: “E aí, como foi o feriadão?”. Será que as pessoas não percebem que esse tipo de pergunta é evasiva? E se o feriado foi um desastre? Tenho que compartilhar tudo que me aconteceu? E se foi bom, sou obrigado a falar de todas as minhas emoções? A questão aqui não é ser mal educado ao ponto de não responder a uma singela pergunta do colega, mas a de ter liberdade de guardar para si os acontecimentos do seu final de semana. Quando este tipo de pergunta lhe atinge, querendo ou não, você se sente na obrigação de redargüir. Se optar em falar um simples “não lhe interessa”, será taxado de grosso.

Possível diálogo fútil 1:

- Oi, Roberto!
- Oi, Carla.
- Ai, nem te conto, meu feriadão foi muito bom! Tenho várias novidades! Sabe o teu amigo... Aquele...
- O Beto?
- Isso, o Betinho... Ai, achei ele um gato, sabe. Encontrei com ele sábado lá no clube...
- E daí?
- E daí que ele pediu meu telefone, e marcamos de sair no próximo final de semana!
- Que interessante...
- O que é interessante?
- Essa tua felicidade por causa do Beto.
- Vocês brigaram?
- Claro que não, ele é meu melhor amigo.
- Você ta estranho, como foi teu feriadão?
- Não lhe interessa.
- Ui! Grosso! Deita e acorda de novo, bicho do mato!

Nesta situação, Roberto ficou de antipático, só porque ele não quis comentar sobre seu feriadão. Mas onde está escrito que ele deve contar sobre seus acontecimentos de final de semana? O “não lhe interessa” é um direito que possui. Não poderia ser chamado de grosso ou “bicho do mato”, no entanto, isso ocorre corriqueiramente.

Por outro lado, há aqueles que são mais pacientes e acabam respondendo de forma resumida.

Possível diálogo fútil 2:

- Bom dia, Renata!
- Olá, Afonso!
- Tudo bem?
- Tudo. E com você?
- Tudo ótimo, meu feriado bombou!
- Ah, que bom...
- E o teu como foi?

(uma breve pausa)

- Ah... Sem grandes emoções... Foi normal.

(teu colega pode ser daqueles chatos que insistem, neste caso, o diálogo vai mais além).

- E esse normal é bom?
- Ai, normal é normal. Nem bom nem ruim.
- Ah, mas não tem nenhuma novidade mesmo?

(Agora a paciência está chegando ao fim)

- Não.
- Você não parece ser uma mulher de poucas novidades, tenho certeza que andou beijando neste findi.
(O cara é realmente chato e quer dar uma de ‘amiga’, ou galanteador).

(o fim da paciência)

- Ai, Afonso! Não começa! Se eu tivesse alguma novidade eu te contaria, ok?
- Tudo bem.

Aqui, Renata possivelmente passará a imagem da mulher na TPM, ou a mulher sem sexo. Quando, na verdade, ela pode fazer sexo três vezes por semana e ter saído da TPM há 72 horas. Todavia, ela tem a livre escolha de não expor nada sobre seu feriadão. Por que isso é tão difícil de entender?

O terceiro e último possível diálogo, seria aquele em que ambos acabam conversando sobre o que fizeram no feriadão. Na prática, sabemos que isso não é uma verdade completa, embora seja comum ocorrer. Não se sabe ao certo se os dois possíveis interlocutores estão com vontade de contar suas novidades, eles podem as compartilhar por inúmeras hipóteses: precisam de um conselho; querem desabafar com o primeiro ser que encontrarem; desejam demonstrar uma falsa simpatia ao perguntar algo que não necessita ser perguntado, ou responder algo que não custa rebater ao infeliz que perguntou.

Por mais que este assunto lhe soe estranho ou fora de questão, ele é real. Hoje, ao chegar a sua escola, a sua faculdade ou ao seu emprego, com certeza irão lhe perguntar sobre o feriadão. Se isso incidir, peça, gentilmente, que o perguntador acesse este blog e leia este texto. (Juro que não é uma jogada de marketing).

As pessoas têm que entender que há dias em que você não quer falar sobre seus acontecimentos. Porém, há também os dias em que você não quer parar de recitá-los verbalmente. O que deve ser exercitado é o bom senso, o olho crítico e observador. Antes de perguntar alguma coisa a alguém, preste atenção na situação, no lugar e no momento, só depois pergunte. Você não pode adivinhar que tal fulano não quer falar, mas pode tentar entender o porquê do fulano estar quieto. E para isso, não necessitamos indagar. Devemos apenas ser mais cautelosos, não só com os outros, mas com nós mesmos.

O mais perpetuante ou hipócrita disso tudo, é que eu sou uma das pessoas que pergunto sobre as novidades do feriadão. Também pertenço àquele grupo que contam suas novidades aos curiosos que me indagam. O que farei hoje? Acho que terei que apelar para a dor de garganta.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

"Amor, não usa camisinha porque não quero ter um filho"

Se você achou a frase acima sem nexo, insana, ilógica, colidente, contraditória ou até mesmo disparatada, saiba que no mundo real ela se personifica em atos não verbais. O sujeito detesta usar camisinha, porém, não cogita a hipótese de que um dia poderá ser pai por “acidente”.

Neste fim de semana o instituto Datafolha revelou que a cada dez gestações, quatro não são planejadas. Mesmo com o surgimento da pílula anticoncepcional – isso há mais de cinqüenta anos – a gravidez indesejada vem crescendo gradativamente no país. A pesquisa ainda ressalta que este fenômeno atinge todas as classes sociais, e na sua maioria, um público jovem (adolescentes).

No bairro onde moro conheço três garotas que engravidaram sem precisar de muito esforço. Elas apenas seguiram seus instintos animais. Uma delas ainda me relatou que foi transar com o namorado sem camisinha porque o preservativo pertence à vida daqueles que não são fieis. Uma semana depois dessa declaração, fiquei sabendo que sua fidelidade daria fruto a uma criança que hoje tem cinco anos e vive em condições tão precárias quanto a mãe. São vários os casos, e as desculpas são análogas: “A camisinha estourou”, ou então: “o clima tava tão quente que acabou rolando sem proteção”. Mas aí você pensa, e a pílula do dia seguinte? Aquela de caráter totalmente emergencial? Ah, minha amiga, essa pílula não é 100% eficaz. E não adianta sair tomando inúmeros comprimidos. Existe uma dose certa para cada organismo. O ideal é que se procure um especialista e somente depois se encare o remédio da “purificação”.

Quando reflito sobre essa nossa juventude liberta para a vida sexual tento imaginar como era nos anos 60, 70, 80. Ou como seria o sexo na ditadura militar? Segundo Arnaldo Jabor, “o sexo pertencia a uma militância política”. Transava-se contra o regime socialista ou contra a ousadia comunista, não importa. O sexo sempre existiu. A questão é que chegamos ao ponto crucial de nossa sociedade: a bestificação. Exatamente, somos bestas. O nosso almejo pela liberação, pela autonomia infantil que hoje toma conta de boates, festas e eventos para todos os gostos, passou da chamada “diversão” para um reflexo preocupante. É ignorância achar que só você erra . Os erros coletivos podem causar a derrota de uma nação. Quer que eu apele para a história? Leia sobre a revolução mexicana ou francesa, e entenderá quando falo de erros coletivos. Meus amigos sociólogos insistem em dizer em que estamos em uma fase de transição, não discordo. Contudo, quais serão as conseqüências de nossa fase transnacional? Filhos não planejados mais drogas igual adrenalina?

Não quero aqui passar a imagem de preconceituoso ou pseudo-moralista, mas a verdade é que a nossa juventude se droga sim, a nossa juventude faz sexo, e as nossas crianças também geram crianças. É fato! Não estou inventado nada. Tudo que faço é observar o mundo ao meu redor, a comunidade pela qual mantenho meus relacionamentos. Procure olhar quem está ao seu lado, converse com essa pessoa e descobrirá um universo novo de preceitos, crenças e opiniões. Não adianta lutarmos contra nós mesmos. Cada indivíduo deve à sua consciência a justificativa de seus atos, sejam eles implícitos ou oratórios.

Para não me acusarem sob o argumento de que uso e abuso da generalidade, friso que por sermos indivíduos únicos (meio óbvio), somos diferentes (outra obviedade), por tanto, os critérios de estilo de vida são muitos (Isso é uma conseqüência). Nem vou citar sobre o que é normal. Para mim, a normalidade é a própria generalidade.
A seguir há uma parte da entrevista que fiz com Hulana Ribeiro (foto a baixo), 18 anos, natural de Macapá, Amapá. Hulana recentemente descobriu que será mãe indesejadamente. Propus a ela uma pequena entrevista a ser publicada em meu blog e ela topou. O que você lerá a seguir é apenas um mero recorte do real.


COLUNA DO LUAN – Quem é o pai do seu filho?
HULANA - Um garoto que eu estava ficando
COLUNA DO LUAN – E como ele reagiu ao saber da notícia?
HULANA – Não gostou muito, né.
COLUNA DO LUAN – Ele vai assumir o filho?
HULANA – Vai tem que assumir, se não coloco ele na jsutiça, não fiz o filho sozinha.
COLUNADO LUAN – O que aconteceu para que tu engravidasse? Vocês não usaram camisinha?
HULANA – Ele usou, mas estourou. E a pílula não fez efeito.
COLUNA DO LUAN – A pílula do dia seguinte?
HULANA – Isso.
COLUNA DO LUAN – Tu tens uma vida sexualmente ativa?
HULANA – Não entendi.
COLUNA DO LUAN – Faz sexo com freqüência?
HULANA – Sim.
COLUNA DO LUAN – E tu não tomava anticoncepcional?
HULANA – Não.
COLUNA DO LUAN – Por quê?
HULANA – Nunca me interessei.
COLUNA DO LUAN – Mas então tu sabia do risco de engravidar?
HULANA – É, sabia.
COLUNA DO LUAN – O que muda na sua vida agora?
HULANA – Nada.
COLUNA DO LUAN – O fato de tu teres um filho não mudará nada em sua vida?
HULANA – Não.
COLUNA DO LUAN – Aos 18 anos tu achas que está pronta para ser mãe?
HULANA – Estou.
COLUNA DO LUAN – Por quê?
HULANA – Porque estou.
COLUNA DO LUAN – O fato de sua gravidez ter sido indesejada não pesa a consciência?
HULANA – Não, não pesa.
COLUNA DO LUAN – Que lição tu pode tirar desse episódio?
HULANA – Ter mais responsabilidade.

Hulana Ribeiro respondeu as perguntas da forma mais lacônica possível. Entretanto, são as palavras lacônicas que tentam justificar a vida que ela agora irá gerar. Ser mãe parece não incomodar Hulana. Aliás, parece não incomodar mais ninguém.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A fome dos leõezinhos

É engraçado ver os leõezinhos atacando suas prezas. Geralmente são de todo inexperientes. Não conseguem controlar seus desejos sexuais. Quando estão prestes a conhecer sua sexualidade os leõezinhos ficam nervosos. Nota-se essa inquietação pelos olhares, pela forma errônea com a qual se comunicam. Tudo que desejam é atacar. Pensei com essas palavras ao ver dois garotos, no auge de seus doze ou treze anos, creio. Estávamos todos no ponto de ônibus, enquanto esses leõezinhos tentavam seduzir sua preza: uma garota da mesma faixa etária. Ela, por sua vez, flertava. Tornava o jogo mais difícil, embora totalmente acessível. Tudo que ela queria era deixar os leõezinhos suados. Bons predadores gostam de correr atrás de suas prezas.
Comida muito fácil perde o sabor, o encanto, o prazer. Mas se tratando de leões novos, logo se vê a imaturidade verbal e sexual. O problema dos novatos é açodamento. Vão com muita sede ao pote. Isso não os torna bons predadores. O Leão que se preze tem inteligência, atitude na hora certa e não fala o que pensa, fala o que deve ser dito. Assim, ele ganha a preza da forma mais carnal possível. Como se fosse o lado superficial do relacionamento. Começamos no sexo, depois se virar amor é lucro. Pobres leõzinhos, estão famintos, no início da puberdade, o descontrole emocional é compreensível.
Isso me faz lembrar do meu primeiro caso amoroso. Sempre fui muito lerdo para sexualidade em si, meu beijo de língua surgiu aos dezesseis anos, em um dia chuvoso de outubro. Meses mais tarde eu conheceria minha primeira namorada. Tanto eu, quanto ela, éramos desvirtualizados. Descobrimos nossas tentações carnais juntos. Foi uma relação picante. Gostava dessa época, de um leãozinho inocente passei a ser um leão mais convicto, certeiro e experiente. Mesmo assim, sinto que me deteriorei em parte nesse período. Tudo muito precoce, em questões de meses.

Hoje já não cobiço mais ser leão. Sou adepto às verdadeiras intenções. Com algumas recaídas, ainda acredito no poder do amor entre os seres humanos. É claro que o sexo é relevante. Contudo, prefiro deixar as prezas para quem acha quer ser leão é simplesmente matar a fome primitiva e leviana. Pobres leõezinhos, ainda têm muito o que aprender.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Novidades

Aguarde. por enquanto estamos em obras. Dia 14 está próximo.

sábado, 29 de março de 2008

Quero um todo em parte


Talvez um beijo não seja o suficiente. Talvez o que eu precise seja de um todo. Um todo em parte. O que não me machuque e ao mesmo tempo me arda de emoções colossais. Isso existe? Tudo que existe tem significados, e o que eu busco em ti não é suficiente. Prefiro, deste modo, sofrer a achar um significado enganosamente prazeroso. Por favor, faça-me sofrer. Não muito distante, quando eu chegar ao final do nosso labirinto vertiginoso, eu enxergarei minha felicidade. Uma felicidade tardia e reluzente, brilhando em suas mãos dilaceradas pelas inúteis tentativas de me amar.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Lábios compartidos

Eis aqui, como me pediram a tradução. Não realizei adaptações, os significados estão tão como no espanhol.
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Meu amor,
Se estou debaixo do vai-e-vem de tuas pernas
Se estou afundado em um vai-e-vem de quadris
Isto é o céu, é meu cel.

Amor fungado
Me pegue, me deixe, me exprima e me jogue a um lado
Vá a outros céus e venha como os beija-flores
Me tenha como um cachorro ao teus pés

Outra vez minha boca insensata, volto a cair na tua pele
Volta aqui tua boca e provoque
Volto a cair dos teus peitos ao teu par de pés

Lábios compartidos, lábios divididos, meu amor
Eu não posso compartir teus lábios, nem comparto o engano
Não comparto nem os dias, nem a dor
Já não posso compartir teus lábios...
Oh amor, oh amor...
Compartido

Amor mutante
Amigos com direito e sem direito de te terem sempre
E sempre tenho que esperar paciente
O pedaço que me toca de ti
As vozes sozinhas choram no sol
Minha boca em chamas torturada
Tu nua como um conto de fadas
Logo vai embora...

Outra vez minha boca insensata
Volto a cair na tua pele de mel
Mesmo a mim tua boca doeu...
Volto a cair dos teus peitos ao teu par de pés

Lábios compartidos, lábios divididos, meu amor
Eu não posso compartir teus lábios, nem comparto o engano
Não comparto nem os dias, nem a dor
Já não posso compartir teus lábios...
Que me parta um raio
Que me enterre o esquecimento, meu amor
Porém, não posso mais compartir teus lábios
Compartir teus beijos
Lábios compartidos

Te amo com toda minha fé sem medida
Te amo mesmo que estejas compartida
Teus lábios têm o controle...

Te amo com toda minha fé sem medida
Te amo mesmo que estejas compartida
E te sigo com o controle...

Maná.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Americana passa dois anos sentada em uma privada


Homenageio o jornal americano “Daily News” como destaque do final de semana. O periódico trouxe à tona a notícia de que uma mulher identificada como ‘Pam Babcock’, de 35 anos, permaneceu boa parte dos últimos dois anos sentada em uma privada. O fato ocorreu no Condado de Ness, em Kansas, nos EUA. A polícia local segue com a análise de acusar formalmente o namorado de Babcock, Kory McFarren, que disse ter se acostumado com o fato de ver a companheira na privada, após certo tempo. Ele só chamou as autoridades depois que a pele de sua namorada grudou na tampa da privada, sem jeito de sair. Os policiais precisaram usar um pé-de-cabra para arrancar a tampa da privada e levar colada à nádega de Babcock ao hospital.

Segundo o Cherife do Condado de Ness, Brian Whipple, investigadores devem entregar um inquérito à justiça, que determinará se será apresentada uma acusação formal contra o namorado de 36 anos. McFarren alega que durante os dois anos, levava água e comida para Babcock na privada. Ele também contou que sua namorada sofria de uma fobia devido a maus tratos sofrido na infância. “O banheiro era seguro para ela”.

Os últimos relatos da polícia mostram que McFarren cuida de Babcock há 16 anos, tempo em que estão juntos. Ele ainda acrescentou a polícia que sua namorada possui uma infecção nas pernas que prejudicou seus nervos, e por esse motivo, ela não pode senti-las.
Os médicos que cuidam do caso ainda não se pronunciaram sobre a saúde mental de Pam Babcock.

Aí eu acrescento: Em um país onde tudo pode acontecer diante das eleições dos democratas, prova-se que a ‘vida privada’ das pessoas possui forte influências públicas. Não é mesmo, Eliot Spitzer? Aliás, a Hillary Clinton sabe disso como ninguém. Talvez seja por isso que muitos dos votantes democratas têm certo ódio de Hillary, por ela não ter se divorciado do Bill. Quem já foi para os Estados Unidos sabe que o povo lá é nacionalista ao extremo, ao ponto de derrubar candidatos renomados da política americana por conta de suas vidas “privadas”. Lá, ao contrário do Brasil, um escândalo político pertence a relacionamentos pessoais sim. Como diria Ivan Lessa, aqui no “bananão”, uma das raras exceções foi o caso do senador Renan Calheiros. Mas pobre homem, também não soube pensar, ou pensou até demais, fazer uso de verba pública? Agora a moda migrou para os cartões corporativos. Além do mais, alguém ainda lembra disso? Por ora, nos Estados Unidos, a força tarefa é eleger um dos democratas. De quem será a vez? Do mulçumano ou da traída? Espero que nenhum deles fique tempo de mais na privada, refletindo de como um pode vencer o outro.

terça-feira, 11 de março de 2008

Meu gosto por loucos


Caro amigo(a)-colega(a)-leitor(a), cheguei a conclusão de que gosto de pessoas loucas. Me atraio por pessoas insanas. Mas não é qualquer loucura. Tem que ser uma insanidade incomum. Por exemplo, alguém que chame atenção pela sua personalidade. Não, não vale citar Britney Spears nem Michael Jackson. O mundo do pop está cheio de personalidades chamativas e apelativas. E não só o pop, diria que o mundo da música em si tem lá suas proezas humanas. Entretanto, a loucura que me refiro é algo mais pessoal do que se imagina. Talvez provém das riquezas de interpretação, de sobrevivência, de dar sentido a esta vida tão descomunal que é a nossa. Pense bem, vivemos dentro de uma rotina. Até o preguiçoso e o vagabundo tem a sua. Eu já me declarei totalmente contra o “cotidiano repetido habitualmente”. Acabamos nos conformando a isso. Aí damos valores aos apegos materiais e por conseguinte, insignificantes. Afinal, trabalhamos tanto, estudamos até o nosso cérebro explodir, seria justo aspirarmos à um bom emprego, à uma boa renda mensal, à uma conta bancária estourada em Euros, à um carro de classe mais sofisticada e moderna. Tudo seria justo e justificável em nossa vida urbanizada pela costume e pelo conformismo. Não posso esquecer de que nos apegamos a paixões supérfulas em nossa jornada vitalícia, como uma banda e/ou um cantor, um time de futebol e por aí vai. Falo isso por experiência própria. Também sou humano, e por ter nascido como um, devo mencionar a natureza de nossos relacionamentos. Já comentei com alguns conhecidos sobre a impaciência de quem não consegue ficar um minuto se quer sozinho, não consegue ficar sem namorado(a). É incrível. O sujeito sai de uma relação e já entra de cabeça em outra. (De cabeça da forma mais literal possível). Mediante estas descrições vindas de um lado obviamente parcial, que é o meu, eu lhe pergunto: Como seria a vida habitual de um louco? Um louco que me atraia, que fique bem claro.


E aí? Já pensou? Então reflita mais um pouco.


Já tem a resposta na ponta da língua ou não?


Bom, eu responderei. Assim quando em uma breve manhã de verão nevar. Quando eu me tornar conservador. Quando Hugo Chávez e George Bush forem amigos e tomarem chá com a rainha Elizabeth. Quando voltarmos a usar máquinas de escrever no lugar dos computadores. Quando trocarmos o carro pela bicicleta. Quando racionarmos água. Quando cuidarmos mais de nosso planeta. Quando não houver mais qualquer tipo de preconceito no mundo. E quando o Brasil for um país de política estritamente honesta.

Quando tudo isso acontecer nesta ordem, eu conto que tipo de louco me atrai, se até lá esse louco existir. Como diria Lavoisier: Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Inclusive os gostos por loucuras.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Reiterando

Gente, não adianta mandar e-mail me xingando. Já disse que minha semana começa na terça-feira. E eu já disse que eu não sou judeu!

sábado, 8 de março de 2008

A saga de Sabrina



“Às vezes preciso do teu socorro singelo. Lembra? Aquele que nunca foi para frente, que nunca esteve aos nossos pés. Há momentos em que sinto uma enorme dor capaz de afogar nossos corações em mágoas perpetuadas pela nossa estupidez romântica. Ainda faço de conta que te conheci ontem, que te beijei hoje, e que me apaixonei pelos teus abraços apertados. Nada faria sentido se o nada fosse o acaso. Ou ainda tudo seria o nada. Do que importa a verdade? Foram e são circunstâncias solenes como aquele sino de nosso matrimônio. Tirei sua aliança e passei adiante. Adiante naquela gaveta suja, imunda com seus pertences. Sou um miserável. Um assassino de lembranças. Queria ter a certeza de que você não voltaria. Queria ter a gratidão de sua traição. Adultério. Quem diria que nós algum dia daríamos certo. Ou que nós, durante três horas sem intervalos, passaríamos nossos melhores momentos de prazer alheio. Quanta bobagem isso se tornou depois que você me disse que seu coração não fazia mais sentido bater por mim. Olhei durante dias para aquela pedra moldada na parede de nosso antigo quarto. Nossos nomes ainda estão lá, gravados, marcados por um arranhão. É inevitável não refletir sobre nossas atitudes ou sobre nossos vícios. Parecíamos estrelas do rock. Sexo, drogas e rock in roll. Na gaveta abaixo da sua, estão as seringas, os baseados queimados e um restinho de pó branco do qual usufruímos na noite de ano novo. Ainda me lembro daquela frase: ‘Que venha o ano seguinte, cheio de amor e droga em nossos corpos eternamente unidos’. Que porra foi aquilo? Devíamos mesmo estar perdidos. Mas no momento todas as suas palavras vão de encontro com o meu corpo agora fechado sob um caixão. Em breve enterrado, como num dia em que eu nunca a tive em minha vida. Você sempre será minha flor, embora eu não seja mais a água que te refresque dos seus pesadelos insólitos e insolúveis.”

Sabrina se deparou com o seu rancor ao ler a carta deixada por Bebeto. “Aquele viciado filho da puta vai tentar se matar de novo.” Caminhou até a casa de Rosangela, tocou a campainha e disse em alto e bom tom: “O corno vai tentar suicídio de novo!”. Rosangela por sua vez retrucou: “E tu vai tentar salvar aquele viciado lunático?” “Tenho alguma outra escolha?’ “Você pode deixar que ele morra, assim ele não te perturba mais!” “Do que está falando, Rosângela, o viciado é meu irmão, caralho!”. Ela sede: “É a última vez que eu te ajudo, Sabrina! Esse teu irmão quer te comer faz um ano, já te disse pra te internar esse doente!”. Saíram as duas no fusca de Sabrina, rodaram até a usina da cidade, abandonada há mais de 50 anos. Lá estava Bebeto, sobre um muro de 24 metros. Rosangela desce do carro gritando: “Se vai pular, pula de cabeça duma vez pra não dar mais trabalho pelo resto da vida, seu doente mental!”. “Cala a boca, Rosangela! Assim tu não ajuda, porra!”. Bebeto grita: “Sabrina eu te quero!”. “Ela é tua irmã, seu merda!” – responde Rosangela, com o rosto bufando de raiva. Ele continua: “Eu vou me matar, eu vou pular daqui!”. “Tu já tá pulando isso aí faz um ano, pula de uma vez então.” – Rosângela torce pela morte de Bebeto. E ele pula. Sabrina se desespera. Ele quebra o pescoço e coluna na queda. Os olhos de Rosângela brilham. Sabrina grita. Rosângela a segura e diz: “Venha, baby, talvez tenha sido melhor assim, cedo ou tarde isso iria acontecer”. Sabrina se consola no ombro de Rosângela, as duas voltam lentamente para o fusca, Rosângela conclui: “Desde que ele nos pegou na cama ele enlouqueceu, durante todo esse tempo escrevia carta de amor para ti, teu irmão era doente.” Ao entrar no carro Sabrina, com um olhar certeiro fala sem piscar: “Ele não era doente, Rosângela; eu transava com ele antes de te conhecer, sua vadia.” Não demorou muito para que a garganta de Rosângela fosse cortada por uma navalha que ficava escondida na cintura de Sabrina. Ela sorri. Empurra o corpo de Rosângela para fora do veículo. Dá marcha ré, pega distancia, em seguida engata a primeira e passa por cima de Rosângela.

Sabrina chega em casa com sua baby loock manchada de sangue. Vai até o armário e pega uma lista onde aparece o nome de seus pais riscados, abaixo deles está o nome de Bebeto (seu irmão) e o de Rosângela (sua amiga e amante). Risca os dois. Vai se lavar pensando: “preciso descansar, a lista é grande”.