Como todo bom judeu, segunda-feira é feriado para mim. Começo tudo na terça. Por tanto, até amanhã.
PS: Não sou judeu.

Anteontem foi meu aniversário. Como todos, ou quase todos sabem, completei duas décadas. É... Duas décadas. Mas não estou nem aí para a minha idade. E o mais engraçado é que no dia de meu aniversário eu não senti nada de especial. Antigamente sim, eu contava as semanas para chegada de meus ‘anos de vida’. Entretanto, nesse domingo que passou não foi desta forma. Eu acordei e nem lembrei que estava completando vinte anos. Até que meus pais me ligaram de praia parabenizando-me, foi aí que me acordei: Caramba! Hoje é meu aniversário! Acho que na medida em que envelhecemos perdemos o gosto pela comemoração de mais um ano de vida nesse planeta cada vez mais doente. Acho que na medida em que crescemos talvez também evoluamos. Outros não, é verdade. Todavia, isso se baseia em princípios.
Falta uma semana para o meu aniversário. Daqui a sete dias completarei 20 anos. Época de aniversário é sempre nostálgica, você fica pensando nos anos que passaram e no proveito que tiramos desses anos de experiência. Eu, por exemplo, mudei muito desde minha pré-adolescência, se é que posso chamá-la assim. Não me lembro muito bem dos problemas sociais brasileiros na década de 90, eu tinha menos de dez, e depois, um pouco mais de dez anos. Mal lembro da entrada do Real, da mudança de nossa economia e do governo FHC. Lembro de um ou outro título conquistado pelo Inter, lembro da minha infância, mas não estava nem aí para o mundo, para o país, para a sociedade. Eu era apenas mais um ser respirante. E ainda sou. A diferença é que quando somos crianças, e posteriormente adolescentes, esquecemos do mundo ao nosso redor. Somos egoístas, só queremos saber de nós, não aceitamos nenhuma explicação e usamos argumentos sem fundamentos em busca de um objetivo fútil. Quando criança ainda é tolerável e na adolescência pode ser respeitado como uma fase. Sou da tese de que nossa personalidade começa a ser formada, em princípio, na aborrecência. É quando surgem os primeiros interesses. Antigamente, os primeiros interesses eram: se casar, arranjar um bom partido, ter um bom relacionamentos com seus pais, ter filhos, uma doutrina a seguir. Hoje, os primeiros interesses é beijar na boca, perder a virgindade, ir a um baile funk ou a uma rave, experimentar algum tipo de droga, sejam elas lícitas ou ilícitas. Gente esse é nossa sociedade moderna! A sociedade que cria tecnologias de primeira mão e ao mesmo tempo regredi no que diz respeito a sua evolução. E eu aqui....prestes a completar 20 anos. Tento avaliar não só a minha perspectiva de vida, mas a perspectiva do mundo.
Em março fará dois anos que não nos vemos, que não nos encontramos, que não nos tocamos. Em março, a brisa de algum deserto tocará minha alma pálida pela ausência de nosso amor. São quase irredutíveis as lembranças primárias de nosso relacionamento. Até certo ponto não me importaria de dizer que ainda a amo, mas passado tanto tempo, tantos dias, tantos meses, não sei se o que sinto não se confunde com meus desejos aborrecentes. Durante esse nosso percurso quase que sombrio, nas chamas da solitariedade, colocamos o nosso passado no presente. Agora mesmo lembro-me de você me abraçando tocando meu corpo e entregando-se com uma inocência aflorada ao meu calor carnal. Não sei bem o que dizer. Às vezes queria poder vê-la para saber o que sentir. Será que o aroma indestrutível de seu beijo continua o mesmo? Ponderei durante madrugadas sobre seu estado de espírito. Quando você me ligou dia desses e disse “heloo, Luan, acorda!” com aquela entonação quase perfeita de menininha sedosa, voltei no tempo. Uma nostalgia tomou conta de minha mente. Ao telefone fui frio com você, curto e grosso. Uma firmeza frívola e decadente que eu não queria tê-la usado. Sinto-me totalmente incoerente quando penso em tudo que disse a você em quanto estivemos juntos. Não foram mentiras, em hipótese alguma. Foram apenas conjecturas, como diria Borges. E de lá para cá, em minhas conjecturas, fiquei extremamente impressionado com a mudança que tomou conta de mim. Quiçá Freud explica. Embora a principal razão notória e plausível de minha mutabilidade seja você. Na verdade, nosso término serviu de ponto de partida para um outro eu. Serviu para descobertas de novos mundos dentro de mim. Apaguei de meus remanescentes a idolatria que eu tinha quanto a sua personalidade. Como eu queria que você entendesse que tudo que passei por e com você não foram meros momentos, e sim um marco no contínuo espaço temporal de nossas juras eternas de amor. Vejo sem sombras de dúvidas, que qualquer namorado que você tenha se relacionado, e que você ainda venha a se relacionar, não dirá em modo algum, todas as palavras que eu disse a você sob uma paixão efevercente. Nenhum outro namorado caminhará com você de maneira igualitária os nossos 318 passos na praia, escutando as nossas próprias vozes cantalorarem a magia de nossos corações. Queria que você sentisse o que sinto neste exato momento, a saudade de nossa felicidade diluída pelos nossos erros compreensíveis. Nenhum outro verão terá a intensidade que nós tivemos pelo nosso amor. Você ajudou a me descobrir. E talvez seja por isso que eu tenha aprendido a perdoar. Perdão aos quais nossos erros sempre careceram. Agora eu queria dizer na sua frente tudo que escrevi para você. Assim eu não só veria sua reação, mas também o movimento de seu rosto que desde o primeiro dia que a vi me fisgaram para a eternidade de nossa vertigem amorosa. Eu não queria ter mudado se fosse para estar hoje ao seu lado sendo feliz como um dia eu fui ao dizer o quanto eu a amava. Parabéns pelo nosso dia, e por todos aqueles que passamos juntos.
Estou tirando uns dias para me bronzear. Volto dia 12 para contar as novidades e com certeza as histórias que virão como consequência. Afinal, praia sempre rende bons contos, não?
1 – Jamais pule as sete ondinhas no Hawaii.