Coluna do Luan

domingo, 10 de junho de 2007

Lágrimas de papel


Não quero lágrimas de papel, quero sentimentos verdadeiros, rótulos inteiros, premissas que sejam de origem dissidente.

Não quero lágrimas de papel, quero apenas a verdade, verdade aquela que você tanto ocultou de mim quando era viva. Mas isso não quer dizer que esteja morta. A única célula que padece em você vem do coração.

Não querer lágrimas de papel é não querer molhar folhas que significaram algo importante para nós. Lembrar de quão valorizado será o que você pensa. Lembrar o quanto você perdeu chorando por pessoas que também derramaram lágrimas de papel inteiras.

É engraçado viver. Você acorda com o seu plano rotineiro em mente, escova os dentes, e têm a esperança de mudar o mundo para melhor. É burrice. As lagrimas de papel rolam em vários rostos com objetivos diferenciados pela sua conduta de vida. Por isso que há tanta maldade no mundo. Por isso que há pessoas boas no mundo.

Não querer lágrimas de papel é bastante circunstancial. Há varias dessas lágrimas, umas se dissolvem mais rápido do que outras. Mas isso também não quer dizer que só por isso elas são mais fracas. O que é válido para os sentidos, reais e irreais, fictícios ou verdadeiros.

Confesso que me sinto perdido, chateado, magoado, mas não só comigo. Sinto-me inflado como se ninguém me entendesse. Por alguns segundos achei que você havia me entendido. Mera ilusão. A vida é uma ilusão. Algumas pessoas realmente acham que podem ser fortes o bastante para não sofrer. Ninguém nunca é forte o bastante. É difícil superar a morte do seu pai. A reprovação escolar para quem valoriza o estudo. O animal de estimação que cresceu junto com você durante anos e teve quer ser sacrificado. Achar-se forte é cegar-se para si mesmo.

Afinal de contas, algum sentido deve ter uma lágrima de papel. Geralmente elas substituem o que você considera mais importante. Justamente aí que aparece seu erro. Infelizmente não consigo expressar o tamanho desespero que sinto quando vejo jovens da minha idade sendo incoerentes. Às vezes acho que não pertenço a esse planeta. Tenho só dezenove anos, mas me comporto como um homem dez anos mais velho.

Também já chorei várias lágrimas de papel, mas as minhas não eram feitas de qualquer função ou produto capitalista. Talvez a grande diferença esteja nas suas decisões. Muitos buscam na filosofia as crenças em que não acreditam na religião. Crer, não crer, importa?

Muitos buscaram na história a solução paralela para os seus problemas. Ter formulas, teorias concretas, ou até mesmo comprovadas por fatos, nem sempre quer dizer que dará certo com aquela pessoa. O que pode dar errado para você, nunca será um erro para outro alguém.

O que você precisa agora é de vertigem. Pense no seu ideal. Não tem? Então faça como eu, chore lágrimas de papel. Só não encha em grandes quantidades baldes feitos de vidro. Esses baldes mostram a sua verdadeira face, a sua verdadeira essência e intenção perante sua índole. Por tanto...tome muito cuidado para não ser desmascarado no momento em que estiver mais vulnerável.

Caso contrário, você poderá ser o motivo de outras lágrimas de papel.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Não machuque os meus pés



Calma. Não aperte tanto os meus pés. Eles também sentem dor. Viu? Falei-te. Chutei seu rosto? Ah, me desculpe. Não tive a intenção. Assim como tu não teve a intenção de me machucar quando me traiu com aquele analfabeto que só sabe beber e fumar. Não sou melhor que aquilo? Devo não ser. Eu não preciso de te, não preciso do teu falso amor nem do teu carinho singelo. Se forem todos da boca pra fora. Tu realmente não sabes dar valor a um homem. Só sabe e quer beijar na boca. Fazer festa. Beber dez litros de cerveja e fumar um maço de cigarros por dia. Talvez ele seja, de fato, seu par perfeito. O seu pé torto. A outra metade da laranja. A folha da sua árvore, enfim...Não quero mais saber noticias suas. É melhor que suma, desapareça. Não me ligue, não me peça flores, porque somente às dou para quem é digno de merecimento. Pra ti posso dar um aperto de mão. E isso já será de mais. O que? Estás chorando? Pare de drama, foste tu quem quis assim. Tu que me traíste com um mulherengo só porque ele tem mais músculos do que eu. Esta na hora de tu aprenderes que músculos não é significado de cultivos amorosos. No máximo terás uma aventura com aquele “Dom Juan”. Se tu soubesses me valorizar, tu entenderias que tudo que fiz por te não foi em vão. Os dias que eu acordava cedo para ti levar café na cama, os dias em que eu saía do trabalho mais cedo para dar tempo de comprar algo que iria agradar você. Tudo foi para o lixo. E a lixeira veio à tona quando tu me disseste que foste em um chá de panela (só para mulheres), e a encontrei semi-nua num banheiro sujo da boate mais mal freqüentada da cidade. Talvez tu não estejas madura o suficiente para mim. Saberei superar essa dor como superei tantas outras. Tu não foste a única que me decepcionaste. Não te preocupas. Chegará o dia em que tu também amadurecerás, e espero que quando esse dia chegar tu não se arrependa do que fizeste, porque acredite, esse sentimento dói muito. Quero que sejas feliz, e entenda que tudo que passamos juntos termina aqui, virando história para ser contada. É verdade, fomos felizes. Fomos. Agora já não mais. Talvez eu também tenha errado; se tu me traíste foste por que eu não soube expressar corretamente o que sinto. Será? O que não quero agora são desculpas. Entenda que até posso perdoar você, mas o perdão não é e nunca será sinônimo de retificação. Nos sentimentos o jogo é bastante sensível. Uma vez que tu te erras podes ser perdoado, mas teu erro dificilmente será corrigido com a mesma pessoa. Espero que possa corrigi-los com outro alguém com quem sejas realmente ditosa. Pode até ser com esse “Dom Juan” do qual eu disse anteriormente que seria apenas uma aventura. Mas quer saber? Mesmo assim tu tens um péssimo gosto. O que me deixou mais chateado foi o fato de tu só veres a beleza externa dos seres humanos. Quanta hipocrisia a sua. Quanta ignorância a sua. Vejamos juntos, outras possibilidades de seguirmos nossas vidas separadas. Boa sorte com o seu futuro, boa sorte com a sua vida. Antes de me despedir, queria saber o que em mim não lhe agradou? O quê? Foram minhas cutículas? Sempre as odiei. Foi meu cabelo? Foi meu jeito de ser? Saibas ou não, eu já sofri muito quando pequeno. Tive que enfrentar as minhas convulsões na infância a base de remédios diários. Enfrentei. Hoje não vivo a mercê de remédios, vivo a mercê das minhas decisões. Quando perdi meus pais biológicos aos cinco anos de idade, eu não sabia ao certo o que tinha acontecido. Hoje eu sei. E vivo minha vida tendo em vista no que de pior um ser julgado racional pode passar. “Graças” ao meu tratamento das convulsões não posso tomar bebidas alcoólicas, nem usar qualquer tipo de entorpecentes. E tu achas que isso me deixas melancólico? Muito pelo contrário, guria! Hoje eu posso ir numa festa dirigindo e voltar lúcido, e ainda o melhor: Lembrar-me do que eu fiz na noite anterior sem vomitar nada no chão, nem ter dor de cabeça ou qualquer outro mal estar. Sou uma pessoal saudável, vivo bem e sou feliz. Não estou privado de ter decepções como essa que tive contigo. Pois pessoas como você que não sabem dar valor ao que mais sagrado tem nas mãos, no mundo, nunca vai faltar. O diferente é que marca. E aliás, me desculpe por ter chutado seu rosto, mas tu apertaste muito forte meus pés, pode levantar-se, sua imploração não será o suficiente para recuperar um cristal quebrado em mil pedaços.

domingo, 13 de maio de 2007

A última chance

Em uma noite escura Laura decidiu sair de casa, brigada com o marido, foi parar em um bar. O mais estranho é que ela não lembrava de como chegou até aquele estabelecimento. Foi como um lapso. A sua memória apagou todo o percurso que ela fizera. Ela entrou no bar. Olhou. Nada. Nada lhe chamava atenção. Até que um rapaz alto, bonito, definitivamente encantador, cometeu o pecado de lhe dirigir a palavra. Laura é uma mulher madura, 37 anos de vida, mas seu corpo representava bem menos. O jovem rapaz aparentava ter entre 25 a 28 anos. Laura apenas escutou as poucas frases do rapaz antes de ignorá-lo. Ela não tem o hábito de dar atenção a “moleques” que, volta e meia, aparecem a sua frente tentando algo com segundas intenções. Mas naquela noite, naquela noite Laura iria vingar-se do marido. Ela nunca tivera traído o esposo com homens mais novos. Ao menos, até então. De forma súbita, ela vira-se e diz:

- Sentes atração por min?

O jovem sem muita reação responde:

- Sinto.

Laura continua:

- Então me desejas?
- Tu nem imaginas o quanto.
- O que estás esperando para me tirar daqui?
- Mas eu nem sei seu nome.
- Há outras coisas mais interessantes a descobrir em mim do que meu nome.

O rapaz a pega pela mão e a leva até o carro. Laura sente algo estranho. Mas não sabe explicar o quê. O jovem entra no carro e diz:

- Hoje, Laura, é seu dia de sorte.
- Como? Tu me chamaste de Laura?
- Exatamente.
- Mas eu não disse o meu nome.
- Não disse, mesmo.
- Então como sabe?
- Acalma-se Laura, nós sempre recebemos a lista com o nome de cada um que devemos buscar.
- Buscar? Do que está falando?
- Durante muito tempo tu ignoraste teu marido, repugnou o seu amor, e ainda achavas que a culpa era dele. Mas o problema sempre foi você. Tu nunca aproveitaste tua vida ao lado dele, nunca fez nada para deixá-lo feliz. O trocava por outros homens, com a exceção a homens mais novos, como eu. O meu superior adora mulheres como você.
- Teu superior? Como sabe de tudo isso?
- Laura...Laura...tua última chance de se salvar tu desperdiçaste oferecendo teu corpo a mim.
- Tu estás me assustando! Vou embora!
- Tu não vais a lugar algum, Laura. Ainda não percebeu? Você está morta.

sábado, 28 de abril de 2007

Escolhas

De nada adianta termos a consciência de ser feliz, se a felicidade está no seu inconsciente. É como juntar uma fábula e divulgá-la para todos os céticos: Nunca obterá resultados satisfatórios. A vida nem sempre nos trás resultados satisfatórios. Uma vez que a vida é o aprimoramento de questões absorvida ao logo do seu tempo. Procuramos entender os outros sem nos entender. Procuramos fazer os outros felizes sem sermos felizes. Procuramos dar o melhor de si, quando na verdade um simples abraço já bastaria. Existem situações que a demasia significa a abundância de um desejo sem sentido. Isso quer dizer que seu sorriso, por muitas vezes já seria capaz de ganhar uma confiança inconfiável. Não precisamos nos entregar ao todo por um amor, devemos nos entregar em parte, e deixe que a outra metade a pessoa amada conquiste. Dessa forma ela também amará você, mas não pelo que você possui, e sim pelo que você é e demonstra ser. Não se menospreze, nem diga que odeia o seu corpo. Ele, o seu corpo, é o material mais importante que o representa para o mundo; é por ele que você pode se expressar de maneira simbólica ou não. O importante não é a simbologia, mas como você simboliza. O segredo de uma vitalidade longa até pode estar na receita dos médicos, mas a principal receita está em nossas mãos, todos os dias. Quando você acordar e olhar pela janela, procure observar nos detalhes, nos mínimos detalhes. Quando enxergá-los, você entenderá que, passaram-se anos e anos e você nunca tivera notado aquele pedaço de parede pintado erroneamente de azul. Aquela árvore que nunca dava frutos, aquele passarinho que cantava no mesmo horário. Mas você por negligência de convívio nunca reparou. A nossa convivência nos torna cegos perante muitos acontecimentos. Aí chega a uma fase da vida que começamos a nos arrepender de não ter abraçado o pai e a mãe quando eram para serem abraçados. Não ajudamos o irmão no momento em que ele mais precisou de nós. Não oferecemos solidariedade, porque a trocamos por hipocrisia. Vemos que a metade de nossa vida foi trocada por meios sem valores, sem uma reposta que tanto procurávamos. Você chora, aprende, diz estar arrependido, mas lá vai tempo de novo, e o tempo pode ser sim o amigo em ocasiões de sofrimento, mas é também seu pior inimigo do passado. Ele, às vezes, apaga da sua memória o beijo da pessoa que mais lhe amou no colegial. No entanto, você nunca deu atenção aquele beijo. Ela/ele não servia para você porque naquela época você pensava que sabia o que era melhor para sí. Até entendermos que se chegarmos aos 70, vamos pensar: “Já sabemos muito, porque aprendemos muito”. Não enganemo-nos. As nossas experiências são frutos do passado, mas, nunca será a sabedoria do futuro. Por isso que comprar conselhos é como jogar na mega-sena, nem sempre você será premiado. Contudo, lembre-se que sua vida não depende do prêmio. Não depende do dinheiro. Não depende de bens materiais. A única coisa pela qual você sempre deverá lembrar é que por mais que você esforce-se e consiga realizar mil ações benéficas, nunca será reconhecido corretamente. Você sempre será julgado por um erro que cometeu e entenderá que suas ações benéficas serão apenas um exemplo do qual pode ou não ser seguido. Caímos na tentação do dinheiro, da beleza física e chegamos ao fim do buraco negro. É importante você saber que na sua jornada de vida, você terá ideologias, políticas e decisões mediante critérios pré-estabelecidos, às vezes por você, às vezes pela sociedade que acha saber diferenciar o certo do errado. Você não poderá correr para qualquer lado, terá que saber escolher, e isso, saber escolher, compromete todas as nossas atitudes. Condenamos-nos a perpetualidade do erro ao sabermos que temos a liberdade de escolher. A vida é assim, apartir de uma escolha podem abrir várias portas, mas muitas outras serão fechadas. E vai saber se aquela que foi fechada, não era a que você mais precisava?

terça-feira, 24 de abril de 2007

Discutindo a relação

Ela entrou no quarto já se queixando. Seu namorado, no entanto, estava apenas deitado na cama lendo um livro. Seria o momento perfeito para terminar o namoro:

- Vou embora! – Disse ela.
- Vá. Mas não demore.
- Acho que não entendeu, vou embora da sua vida! Não aguento mais!
- Relaxa.
- Relaxar? Como vou relaxar! Tu és louco!
- Aham.
- Não aguento mais, sua calma, seu jeito de ser, seu bafo de álcool pela manhã, e suas cuecas sujas no chão do banheiro! Cansei, tá? Cansei!
- Tudo bem, vá embora.
- É assim, fácil? Não vai implorar para que eu fique?
- Não.
- Ótimo! Vou embora, mesmo! Já que não faço falta, depois não vá chorar me ligando de madrugada!
- Nunca ti liguei de madrugada.
- Como, não? E aquele dia em que estava bêbado?
- Não conta, eu estava bêbado.
- Tu és repugnante!
- Relaxa.
- Não vou relaxar! Já te disse que vou embora! Não vou relaxar! Entendeu?
- Sim. Mas relaxa.
- Arg! Vou matá-lo!
- Entra na fila.
- Tu sempre foste assim com todas?
- Sempre. E ainda estou vivo.
- Onde está minha mala?
- Na sua casa, tu nunca trouxe mala nenhuma pra cá.
- É verdade, facilitou, vou embora mais rápido.
- Já faz dez minutos que tu estás indo embora, meu amor.
- Está debochando, é? Achas que não vou embora?
- Acho.
- Pois bem! Então vou embora!
- vá.
- Nem vai se despedir?
- Estou lendo meu livro.
- Então seu livro é mais importante do que eu?
- No momento, sim, você está indo embora.
- Como é que é? Isso é um absurdo!
- Relaxa.
- Mas que droga! Chega com esse “relaxa”! Eu não vou relaxar enquanto estiver aqui com você!
- Tudo bem, vá embora.
- Como é? Quer que eu vá embora? Pois agora que eu não vou! Irei contrariá-lo! Não vou mais embora!
- Como se isso fosse novidade. E tu ainda querias que parasse de ler meu livro.
- Largue esse livro e me beije!
- Pensa que manda.
- Me beije!
- Relaxa. Até pouco tempo você estava indo embora, agora quer que eu a beije.
- Tudo bem, vou relaxar, vou beijar outro.
- Com se não beijasse.
- O quê?! Você acha que eu lhe traí?
- Não. Tenho certeza.
- Eu nunca lhe traí!
- Como, não? E aquele homem da noite em que estava bêbada.
- Não conta, eu estava bêbada!
- Bom, então você me entende.
- O quê? Que tu não me ligou de madrugada porque estava bêbado?
- Não, que eu já te traí.
- Tu me traíste?!
- Sim.
- Ó, não acredito! Seu cachorro! Homem é tudo igual, mesmo!
- Não sei por que vocês escolhem tanto, se homem é tudo igual.
- Vou embora!
- De novo?
- Mas agora eu vou!
- Relaxa.
Se tu me disseres mais uma vez pra relaxar eu juro que lhe dou um soco!
- Nossa, quanta violência, o que acontece com aquele beijo?
- Enfia na tua bunda.
- Relaxa.
- Tens razão, vou relaxar, mesmo, agora que estou indo embora.
- Demorou.
- Como é? Não ouvi!
- Limpa os ouvidos.
- Tu está me chamando de surda?
- Não, de porca.
- Porca? Bem eu que sou porca! E as suas cuecas cagadas no banheiro? Aquilo não é porquice?
- Pelo menos eu não deixo as minhas calcinhas na pia.
- Eu nunca deixei calcinha na pia do banheiro!
- Mas deixou na da cozinha.
- Muito menos na da cozinha!
- Relaxa.
- Eu vou embora! Agora chega!
- Tá.
- Tá? Só isso? Um simples “tá”?
- O que tu querias que eu fizesse?
- Que tu agisses como homem, e me impedisse de ir embora!
- Por que eu faria isso?
- Por que você me ama!
- Amava.
- Você não me ama? É isso? Acabou tudo entre nós?
- Exato.
- Não acredito que você terminou comigo! Como pôde? Eu não vivo sem você!
- Então não devias ir embora.
- Mas eu não vou, só queria que você demonstrasse algum carinho por min!
- Ah, porque não falou antes, era só isso?
- sim.
- Então vá embora.
- O quê?
- Estou brincando, me beije.
- Sim, ó amor, eu te amo tanto.
- Eu também te amo, minha linda.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Eis o e-mail que recebo:

Olá, Luan! Meu nome é Diogo Fuentes, sou estudante de medicina da Ufrgs de Porto Alegre. Quero lhe dizer que sou fã das tuas crônicas e queria te pedir um favor. Abaixo segue um texto, mais precisamente uma carta que mandei para minha ex-namorada. Estava de cabeça quente no dia que a escrevi, mas passado certo tempo resolvi ler com mais calma e acabei percebendo que essa carta reflete muito a situação corriqueira que nosso país vem vivendo. Peço-lhe que deixe o meu preconceito de lado referente aos estilos de vestimentas, levando em consideração, como afirmei anteriormente, que estava de cabeça quente no dia que escrevi tal texto.

PS: Se publicar esse texto em um dos seus sites, por favor não revele meu e-mail.

Aguardo seu retorno!

Abração do fã Diogo Fuentes.



Carta de decepção amorosa:

“Cansei. Não vou mais perder meu tempo fazendo você enxergar o inevitável. Para falar a verdade não sei o que você viu naquele pobre coitado. Pois é isso mesmo, não existe outra definição para aquela criatura senão pobre coitado. Com aquelas calças limpa-chão, largas, arrastando no meio da rua, o fundilho lá em baixo. Mas, não, você acha bonito. Você também deve achar bonita a camiseta dele, com o número três vezes maior do tamanho que ele deveria usar. Claro, não posso esquecer do boné virado para o lado. O linguajar também é importante. Gírias enfáticas como “mina” e “loco”, deve deixar a mulherada com orgasmos! Como é? Liberdade de expressão? Se for por isso vou começar a andar pelado na rua, vou exercer minha liberdade de expressão! Isso é ridículo! Esses garotos mal sabem falar o português e usam aquelas roupas americanizadas, de raper, jogador de basquete, skatista...e por aí vai. Ora, por favor! Tudo bem, eu sei que existe gosto para tudo, mas aquilo já não é mais gosto é falta de opção, e tu não estavas com falta de opção. Vós já vistes como eles caminham? Se embalançando pra lá e pra cá, se arrastando, parecem que estão cagados. E você me trocou por aquilo? Por Deus! Eles bebem cerveja, cachaça, pinga, tudo com um só nome: Trago. É essa vida que você quer? Depois não vai voltar correndo para min dizendo que cometeu o maior erro da sua vida. Esse garoto por quem tu me trocaste fuma como um dragão, e cigarro é para momentos de lazer, o que eles gostam é de maconha mesmo, eles querem ficar doidão “prás mina” acharem bonitinho. Aí é óbvio que a sociedade não evoluirá, eles não gostam de estudar, e não se interessam pelos problemas que o país venha a ter. Justamente porque eles acham que não é problema deles. O que eles se preocupam de verdade é com o dinheiro do pai, pra bancar roupas e a escola que reprovam várias vezes. Muitos deles nem tem os pais para os bancarem, muitos roubam. Mas agora é nisso que você viverá. Esqueça as aulas de espanhol que lhe dava com tanta paciência. Aulas de violão? Não lhe ensinarei mais nenhuma nota! Você não terá mais nada disso! Vai aprender a andar de skate ou jogar basquete. Não que isso não tenha futuro, mas deve saber escolher as pessoas certas para ensinar o que, de fato, sabem, e não que se rotulam. Você vai namorar com esse marginal, vai casar com ele, vai viver apanhando e ele vai te trair. Mesmo assim vocês não deixarão de ter filhos, e serão vários. Pobre é assim, tem bilhões de filhos e nunca consegue sustenta-los. Aí mandam para sinaleira arranjar um dinheirinho para janta. Esses filhos vão crescer e uma grande porcentagem deles vai ser a cópia viva do pai. Não vai se interessar por estudo, vai acabar roubando, indo para o tráfico, matando pessoas inocentes achando que está comandando uma revolução socialista. Provavelmente esse seu filho morrerá cedo, já que a vida no tráfico é curta, ou você mata ou morre. Um dia ele não vai conseguir mais matar. E você vai olhar para trás e se arrependerá profundamente. Eu já vou estar formado em medicina, fazendo mestrado em Londres, e tu lá com filhos marginais e o marido com seqüelas. Mas que saber? Tu mereces isso e muito mais! Se tu sentes atração por pessoas assim, é porque tu fazes parte do mesmo ciclo, e mulheres que se relacionam com pessoas desse nível são mulheres que não se dão o valor. E sabe do que mais? Não fico com mulheres que não se dão o valor, pois o valor é resultante do respeito e o amor a si próprio, enquanto você não tiver isso, nunca conseguirá enxergar tudo o que fiz por você. Adeus.”

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Sejamos Ignorantes

O mundo foi feito para pessoas ignorantes. Se você um dia tentar quebrar esse ciclo com arrogância e soberba apenas irá se igualar a quem tanto te ignora; se você quiser quebrar esse ciclo com educação e cultura estará agindo como um extraterrestre perdido em sua órbita; se tentar com amor e compaixão será decepcionado muito facilmente; se for com confiança, será traído o mais breve possível; porque como eu disse, o mundo foi feito para pessoas ignorantes, e fugir dele, é a mesma coisa que fazer parte do próprio.

Sofrer não é ruim. Mas também não é bom. Sofrer não é aprender. É saber escolher. É saber tomar a decisão certa, na hora certa e na ocasião certa. Como tomar esse tipo de atitude? Sofra, apenas sofra. Pode ser de amor, de revolta, de ódio, de alegria, de inexistência. Seria equívoca a resposta que daria, que, sentir dor, ou qualquer outro sentimento impregnado pelos ignorantes é mais uma das tantas formas afáveis de se expressar. Ora, não sejamos tolos, nosso planeta esta doente, não precisamos infectá-lo com vírus de precedência estúpida.

Respeite sua mãe, respeite seu pai, não bata no seu cachorro, abrace seus irmãos. Não reclame da comida, e lembre-se que existe alguma criança no mundo que não pode reclamar da comida que não tenha. Lembre-se que arrumar seu quarto tem o mesmo significado de dá ordem a sua vida. Lave a louça! E esfregue uma vez na sua existência a sua própria cueca, para você saber o quão difícil é realizar atitudes e atos solidários sem ser reconhecido. Experimente os malefícios que o mundo ignorante lhe impõe, mas tome cuidado! Não se vicie, nem todos os ignorantes são viciados, você não precisa ser o pior deles.

Faça parte dos neutros, aqueles que se consideram bons. Bons de verdade, o bastante para não conseguir comprovar o que de fato se intitulam. Não perca tempo, ele é valioso, em um minuto você pode salvar uma vida, em um segundo você pode matar outra. Nós temos poderes, poder é uma maneira de cumprir a ignorância que tanto nos aflige, enganosamente, pois às vezes somos felizes. Pense que você dará frutos a novos ignorantizinhos, você também terá filhos, eles vão lhe acordar de madrugada, arrotar na mesa, sujar a toalha de banho no jardim, quebrar os seus objetos preferidos, eles vão ter cicatrizes, vão se machucar, afinal isso comprova que eles praticaram o ato da ignorância. Eles irão crescer, chegará à fase de conhecimento corporal, onde eles começarão a sentir mudanças, calores, excitação, farão sexo, serão vulneraríeis a outras doenças, e você ficará pasmo de como o tempo passou rápido: já é avô.

Entenda que você não poderá controlar tudo, nem todos, existirão pessoas que lhe tratará como um ídolo, mas não espere isso do seu filho, geralmente esse reconhecimento acontece muito tardiamente, por muitas vezes, quando você não estiver mais presente. Espere essa idolatria do seu animal de estimação, é o único ser irracional que é mais racional que nós mesmos. Se não tiver um, adote. Se não gostar de animais, aprenda a gostar. Também existirão pessoas que não vão gostar de você, entenda que ninguém é obrigado a gostar de ninguém, e que ser contra essa reação é ser contra os seus anseios.

Não dê valor ao seu dinheiro, ele é o único meio pelo qual você dá importância no final do mês. Políticos continuarão a roubar, os preços continuarão a subir, e pessoas continuarão a se matar. Entenda que essa é a nossa reação em cadeia e não há amizade que dure. Você sentirá saudade de quando era jovem, sentirá falta de sua força física, dos amigos da faculdade, dos amigos de trabalho, dos seus filhos quando eram pequenos, sentirá falta do seu pai, e vai compreender que a dor voltará sempre, dia pós dia. Porque nós somos todos ignorantes, e ignorantes não sabem tomar atitudes na hora certa, no momento certo e na ocasião certa. Nós todos erramos. Mas não se ofenda com o termo ignorância, pois muitos dos ignorantes nem sabem que são.

sábado, 31 de março de 2007

Cachorro Siberiano


Sentia preguiça. Estava frio. E tudo conspirava contra min. Aquela mesinha da sala não estava no lugar como eu queria, a louça da cozinha exposta ao sol deixava manchas nos pratos e talhares que continha “made in china” como marca. Para completar, havia perdido a assinatura da TV a cabo, minha internet banda larga estragou e a privada encontrava-se entupida. Era realmente um dia perfeito. Ou seja, um dia como todos os outros. Olhava pela janela e via meu carro com o pneu furado e o cachorro, coitado, fedia a estrume de vaca. Tinha que comprar pão, já era quase sete horas da noite, abri a carteira e só via moedas de um centavo, quanta insignificância. Saí a pé levando em consideração que alguém me desse carona até a padaria mais próxima, caminhei durante minutos, horas, finalmente cheguei à padaria: Fechada. Era muita sorte. Olhei para o relógio e ponteiro já marcava dez da noite. O que ia fazer? Já era tarde, estava faminto e cansado. Achei um canivete abandonado no meio fio da calçada. Peguei-o e segurei-o entre meu polegar e indicador, fitei perante alguns segundos pensando no beneficio que aquele objeto poderia me trazer. Pensei. Pensei. Pensei. Não havia nada conclusivo, a única resposta plausível seria concertar a sola do meu tênis All Star que estava veementemente rasgado. Naquele exato instante passava uma BMW série 5, preta, vidros fumês. Eu fitava a BMW e o canivete alternadamente; levantei-me e fui para o meio da rua fazer sinal pro carro parar. E ele parou. O vidro foi descendo e aos poucos fui enxergando um rosto com traços exclusivamente femininos. Até que o vidro desceu por completo e vi uma loira com lábios carnudos, rosto macio semelhante a de uma boneca de porcelana, ela usava roupas justas, tinha estilo e um charme irresistível.

- Aceita uma carona? – Perguntou ela com um olhar de carinho, de afeto, de preocupação.

- Claro. – Dissera eu um pouco assustado com tal atitude da moça. Ela aparentava ter no máximo dos máximos 25 anos, na flor da idade, bem sucedida, devia ser inteligente, tinha cara de quem falava o português correto.

- Abre o porta-luvas. – Disse ela, num tom rígido.

Abri. Vi um revolver calibre 38, estava carregado. Fiquei alarmado.

- Pegue a arma e aponte para min.
- O quê? Só pode estar brincando, porque eu faria isso?
- Você não pode negar um pedido de uma mulher, pode?

Ela fez uma cara de quem estava solitária e carente, só pediu para eu levantar a arma à altura de sua cabeça, o que tinha de mal nisso? Não tenho a intenção de matá-la, nunca matei ninguém. Até porque matá-la seria um verdadeiro desperdício. Que loira! Peguei a arma tremendo e a apontei.

- Como é seu nome? – Perguntou ela.
- Rodolfo Armildo.
- O que você faz da vida, Rodolfo?
- Eu era Jornalista.
- Era?
- Fui demitido.
- Há quanto tempo?
- Já faz seis meses.
- De qualquer forma você não deixa de ser um jornalista só porque foi demitido.
- Como?
- Você ainda é um jornalista.

Falei que ela tinha cara de quem falava o português correto. Todo esse papo fluía com a arma apontada para sua cabeça.

- Pois bem, Rodolfo, hoje é seu dia de sorte, sou uma executiva de uma grande emissora de televisão européia. Tu manjas inglês?
- Sim, fiz intercambio no Canadá durante dois anos.
- Qual é sua especialização, Rodolfo?
- Trabalhava com telejornalismo.
- Hum, interessante, vamos fazer um teste de vídeo, se tu se saíres bem, estará contratado.
- Posso abaixar a arma agora?
- Ainda não.
- Por que isso?
- Preciso da tua ajuda, vamos realizar um assalto.
- O que? Por mil carambolas! Estás louca? Eu não vou assaltar nada!
- Tu queres um emprego ou não quer?

Naquele momento comecei a pensar no meu carro estragado, meu cachorro abandonado, minha casa caindo aos pedaços, estava sem dinheiro e com fome. Aceitei.

- Tudo bem, o que eu devo fazer?
- Beije-me!
- Como?
Ela grudou-me um beijo saboreante, senti seus ardumes palpitando meu corpo, fiquei excitado, em todos os sentidos.

- Por que tu me beijaste?
- Tu és um cara atraente.
- Sério?
- Sério.

Gostava de mulheres de iniciativa. A arma, no entanto, continuava apontada. Meu braço já estava cansando.

- É aqui! Chegamos. Atire em min.
- O que?
- Atire em min!
- Eu não vou atirar em te!
- Atire em min e verás se de fato morrerei.

Não sei o que aconteceu comigo, por impulso, atirei nela. Entrei em desespero. Ela caiu no chão sangrando, a porta do carro abriu-se com o impacto, e lá estava ela sangrando por todos os lados. Uma mulher linda daquelas não poderia jamais morrer. Comecei a chorar, e abruptamente ela se levanta:

- Deu certo! Ajuda-me a levantar.
- Mas, como? Tu não morreste? Tu não morreste! Caramba!
- É claro que não!
- Devo estar tendo um pesadelo! E esse sangue?
- É artificial.

Ela levantou a blusa e mostrou-me seu colete a prova de balas com sangue artificial em plastificado. Igual aqueles usados nos filmes de Quentin Tarantino. Sempre fui fã de Quantin Tarantino.

- Sou fã do Quentin Tarantino, gostou da minha desenvoltura? – perguntou ela.
- Tu quase me mataste de susto! Espera aí, tu disseste que é fã de Quentin Tarantino?
- Disse.

Será que havia encontrado a mulher de minha vida? Não conheci uma única mulher que gostasse de Quentin tarantino.

- Chega de Papo. O cachorro está no banco de trás?

Olhei para o banco traseiro e de fato vi um cachorro siberiano, dormindo, devia estar dopado.

- Espera aí, como esse cachorro veio parar aqui?
- Enquanto tu choravas pela minha falsa morte, um homem colocou o cão no carro sem tu perceber. Havia combinado isso.
- Mas por quê? Com que finalidade? Simular uma morte para seqüestrar um cachorro? Tu não bates muito bem, não!
- Isso é uma longa história, vamos embora.

Ela dirigia muito rápido, fomos para um motel.

- Você vai fazer amor comigo – Disse ela.

Fiquei mudo, e com medo. Botei a mão no bolso à procura do meu canivete, mas não encontrei.

- Ei, onde está meu canivete?
- Está comigo. Por precaução.

Ela se aproveitou daquele beijo para roubar-me o canivete.

- Responda-me sinceramente, porque me deu carona? Nem me conheces!
- Tu não és casado.
- Como sabe?
- Pelo teu beijo, percebi que não é casado.
- Mas o que isso tem haver?
- Tudo bem, Rodolfo, você quer uma explicação plausível? Então lhe darei! É o seguinte, Rodolfo, não sou feliz com meu marido. Estava solitariamente dirigindo pela rua quando o vi sentado com um canivete na mão, logo pensei que vós pudésseis me estuprar e me matar, seria algo perfeito. Preferiria morrer depois de sentir algum prazer, do que viver com aquele trouxa que não consegue me fazer feliz na cama! Entende Rodolfo? Ele não me satisfaz!

Olhava-a atentamente, com os olhos esbugalhados. Ela continuava:

- E sabe do que mais? Tu pelo contrário, não me fez nada! Parecia estar com medo de minha atitude, mas por sorte nessa mesma noite teria que buscar um presente que eu mesmo me dei, um cachorro siberiano! Sempre gostei de um Cachorro siberiano! Por que diabos não posso ter um cachorro siberiano? Já que não sou feliz na cama, posso ao menos ter algo que eu sempre desejei.

- Eu também sempre gostei de cachorro siberiano. - Disse eu, sem muito rumor.
- Pois bem, havia combinado com um pilantra lá da vila, ele me conseguiria um cachorro siberiano em um preço bom e a raça pura, sabe que não existe cachorro siberiano no Brasil, não é?
- Sim é claro. Mas por que a simulação?
- ah, aquilo, de fato não foi planejado, antes de encomendar o pedido havia dito ao tal pilantra que viva ou morta eu queria o cachorro siberiano. Ele disse-me que se eu estivesse morta ele dar-me-ia de presente. Sairia mais barato eu forjar minha morte, tu não achas?
- Tu és louca!
- Sou mesmo, fato é que o pilantra ficou com medo de te, e fugiu, deixando apenas o cachorro siberiano no banco de trás.
- Ele (cachorro) vai dormir por quanto tempo? – Eu perguntei. Já me habitualizando com a situação.
- Acho que por umas doze horas, ele está dopado.

Houve um silêncio abrupto depois desse diálogo. Até que ela retoma a conversa.

- Tu me desejas?
- Como?
- Tu sentes atração por min?

Fiquei com receio de responder, afinal, não sabia com que tipo de mulher estava lidando. Mas fui sincero.

- Sim, tu és uma mulher deslumbrante, só me assustou um pouco.
- Um pouco?
- Tudo bem, bastante. Mas uma coisa tu não me explicou, por que me disse que seria um assalto?
- Pra te deixar mais vulnerável.
- Como assim?
- Disse que seria um assalto pra te justamente ficar com medo e nervoso, as pessoas quando estão nervosas fazem coisas sem pensar e por muitas vezes, só no impulso. Foi por isso que tu atiraste em min. Não foi porque tu quiseste, mas foi porque estava nervoso e realizou o primeiro ato que veio a sua cabeça.
- Nossa, nunca parei para pensar nisso.
- Chegamos ao motel. – Disse ela.

Estacionamos, fomos à recepção, pegamos a chave do quarto, tudo isso sem uma palavra, no mais puro silêncio. Entramos no quarto, ela disse que ia tomar um banho antes, respeitei sua vontade e deitei-me nu na cama redonda e com um espelho no teto.
Aguardei ansiosamente, no fundo, não sabia porque estava fazendo aquilo, era como se eu estivesse no meu inconsciente realizando atos não subtendidos. Ela chegou nua na beira da cama e disse:

- Está pronto, Rodolfo?
- Prontíssimo!
- Então me faça feliz!

Fizemos amor intenso, gozamos no ar da alacridade alheia, nunca uma mulher havia-me saciado meu desejo sexual por completo, ela tinha classe, ela me fez feliz. Depois de algumas horas, já tapados por um lençol fino e molhado de suor voltamos a dialogar em um estágio bem mais íntimo:

- Nossa, Rodolfo, tu é o amor da minha vida.
- Eu digo o mesmo.
- Chamo-me Flávia. Desculpe por não ter me apresentado antes.
- Tudo bem. Valeu a pena esperar.
- Quero que tu se cases comigo, vamos juntos para Europa, deixarei meu marido.

Eu e ela nesse ponto já estavamos fumando um cigarro, na cama, e apenas pensei:

Estava bem, com emprego garantido na Europa, uma mulher que me amava e me satisfazia. E o melhor, eu também a satisfazia. Tudo isso por causa de um simples cachorro siberiano. Displicências da vida. Mas havia duvidas pendentes. Por que ela, de fato, furtou-me o canivete?

domingo, 25 de março de 2007

A essência da beleza

No texto anterior já havia frisado sobre a beleza física, mas como a polêmica foi grande, recebi dezenas de e-mails, quiçá centenas, resolvi dar uma complementação à essência da beleza. Porém, não há de convir que minhas colocações serão ou foram as opiniões da grande maioria, ou seja, o que eu penso há de divergir com muitos critérios opinativos; uma vez que esses critérios são resultantes de outras cabeças pensantes.


A essência da beleza

Baita fresco! – Disse ela. Nunca fui fresco, apenas sentia frio. Mas isso era difícil para ela entender, assim como também era difícil ela saber das coisas que eu gostava. Era não saber o que eu estava pensando naquele exato momento. De fato, aquela guria não servia para min. Ela tinha a pele muito clara, eu prefiro as morenas. Agora, se vem uma loira bem bronzeadinha, hum – coisa boa.

Tudo bem, não quero que pensem que sou um tarado pervertido. Mas tenho minhas preferências. Quem nunca sentiu atração por uma ruiva, mas uma ruiva bem turbinada, com grandes saliências e curvas voluptuosas. Quem nunca ficou excitado ao ver uma loira de biquíni na beira da praia jogando frescoboll. E as morenas, claro, dispensam comentários.

É assim que muitos homens pensam e fazem das mulheres seus objetos de desejo sexual. Não importa se ela sabe ou não cozinhar, se ela tem pós-doutorado ou se viajou para Tangamandápio. Desde que tenha um peitão, um bundão, e um par de coxas bem definidas não diferente da barriga, já ta tri. É, nós homens somos bastante exigentes. Logo, as mulheres também têm esse direito. Elas querem homens com barriga de tanquinho para lavar roupa, umas pernas bem grossas com umas coxas musculosas e os braços, ah, esses devem ser definidos para os músculos exaltarem-se sob a camisa. Coitado de min. Nunca chegarei a esse perfil.

Acho ridícula a maneira que nós, a sociedade, impõe sobre a beleza física. A beleza física para min está nos detalhes, nos traços, na maneira de agir, falar, caminhar. Cada um tem uma fisionomia obviamente diferente. Ninguém é igual a ninguém. Até os gêmeos são diferentes. Querer, desejar, almejar, aspirar uma pessoa por ela ter um busto avantajado e um bumbum empinado é ignorância. Depois ela vai ficar velha, não esqueça de que as pessoas envelhecem, e se você até a velhice continuar desejando pessoas pela beleza física vai morrer sozinho. A beleza mais importante é aquela que vem de dentro para fora, que contagia a parte externa do corpo. E para você, apenas para você, aquela pessoa torna-se a mais linda, a mais gostosa do planeta. Porque você a ama. Essa é a beleza que infelizmente poucos são capazes de enxergar.

Eu tenho minha barriga com alguns pneuzinhos, mesmo assim não estou privado de encontrar alguém que goste de min. Se cuidar é importante, sim. Ter uma alimentação balanceada, uma vida mais saudável esta receita de uma vitalidade longa. Mas não pire. Não fique paranóico(a). Esses dias vi uma garota reclamando para o namorado dentro de um salão de beleza:

- Amor! Olha que horrível meu cabelo! Está com várias pontas onduladas, Meu Deus!!!

- Pára de frescura, Nega. Isso não é nada, eu nem lavo meus cabelos direito e tu aí se estressando por bobagem. – Disse o namorado muito preocupado.

Coitado. Naquele momento eu pensei: Ele assinou sua sentença de morte. A sua namorada estava muito fora de si, ela estava com os olhos arregalados e o sabor da ira visível em sua performance facial. Lembro-me de sua sombrancelia realizando movimentos leves, subindo e descendo. Aquele cara tava literalmente ferrado. Sai dali antes que sobrasse para min.

Olhei pelo vidro do salão e nunca vi em toda minha vida um namorado levar tantos tapas e empurrões. Ele ficou roxo. Hematomas eram meros detalhes. Nunca, eu disse nunca diga a uma mulher que ela está gorda ou que seu cabelo é uma bobagem. As conseqüências podem ser catastróficas.

Isso tudo é a loucura por se tornar perfeito fisicamente. Se essa for sua meta, desista. Por mais que não pareça, nem o Brad Pitt ou a Angelina Julie são perfeitos o todo. Comece dar mais valor a você mesmo. Seja você mesmo. Isso já vai contribuir para sua verdadeira beleza vir à tona.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Abstinência

Estou em fase de desenvolvimento humano. Por favor, aguarde. Em breve um grande projeto no ar.